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Home Saúde

Quedas em idosos geram alto risco de traumatismo craniano

Com alto poder de letalidade, o traumatismo craniano é um dos mais temidos efeitos colaterais dos tombos nessa faixa etária

André Silva Por André Silva
27 de dezembro, 2024
em Saúde
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Quedas em idosos geram alto risco de traumatismo craniano

Foto: Hospital São Luiz Campinas

Descalcificação, osteoporose, fraqueza muscular e desgaste nas articulações são algumas das causas de quedas ligadas à idade avançada. À semelhança de casos recentes, ocorridos com figuras públicas, milhares de idosos acabam ferindo-se com gravidade ou perdendo a vida após acidentes domésticos. Com alto poder de letalidade, o traumatismo craniano é um dos mais temidos efeitos colaterais dos tombos nessa faixa etária.

“O traumatismo craniano tende a ter maior relevância nos mais velhos por diversas razões. Primeiramente, no processo de envelhecimento, o tecido cerebral sofre atrofia e gera maior espaço entre massa encefálica e parte óssea, causando impacto mais direto e com danos potencialmente maiores. Segundo, porque esse grupo tende a tomar medicamentos que estimulam hemorragias, como aspirinas e anticoagulantes, tornando os acidentes mais perigosos às vítimas e impactantes aos familiares”, diz Victor Vasconcelos, neurocirurgião do Hospital São Luiz Campinas.

Dados do Ministério da Saúde indicam que, de 2013 a 2022, a quantidade pessoas mais velhas vítimas de quedas passou de 4.816 para 9.569. O envelhecimento da população brasileira e o consequente aumento da expectativa de vida explicam um pouco esse quadro.

“Ao cair, o idoso corre risco de machucar diversas partes do corpo, das pernas à cabeça. Os machucados na cabeça, como dito, e na coluna são mais arriscados. O trauma direto na região ou na região oposta, à qual chamamos de pancada em contra-golpe, podem acarretar sequelas como déficits neurológicos, fazendo com que o paciente fique permanentemente acamado ou venha a óbito”, completa Vasconcelos.

Prevenção

Traçando um perfil mais detalhado do paciente com mais de 65 anos, 40% destes têm grandes chances de vir a cair. Mesmo com maior vigilância, aqueles que moram em asilos e casas de repouso veem essa tendência de quedas subir para 50%.

“Não adianta envelhecermos mal. Indivíduos que não fortaleceram o corpo durante a juventude terão musculatura mais frágil e menos flexível, fazendo com que eventuais tropeços ou fraquejos originem lesões mais feias. Fisioterapia e sessões de ginástica são essenciais. Ter em casa objetos não-aderentes, como tapetes e pequenos móveis, concorre para pôr o equilíbrio da pessoa em risco. Má iluminação e falta de objetos de apoio, como corrimãos, são outros dos principais vilões. A utilização de calçados firmes auxilia o idoso a manter o equilíbrio tanto quanto suportes externos”, pontua o médico.

O que fazer em caso de queda

A prevenção a esses acidentes é dificultada devido à variedade de fatores que os desencadeiam, tendo também um pouco a ver com o perfil individual do sênior, sendo que os mais agitados e independentes tendem a ter maiores riscos de sofrer esses infortúnios. Para mitigá-los, é importante focar-se em dois aspectos: calma e observação.

“Se a pessoa tiver caído em ambientes como boxes de chuveiros ou cozinha, é necessário desligar imediatamente os aparelhos, evitando afogamento ou queimaduras. Não movimentá-la, em hipótese alguma, é primordial, chamando por ajuda especializada o mais rápido possível. Durante a espera, o responsável pode ficar atento aos sinais de sangramento para identificar o foco da lesão. Em caso de consciência total ou parcial é recomendável uma avaliação à distância de suas funções neurológicas (fala, audição, orientação e espasmos musculares) enquanto espera o resgate”, alerta o profissional.

Nos casos de traumatismo craniano, é recomendável avaliação médica, especialmente quando há alteração das funções neurológicas.

Felizmente, as chances de sobrevida ao choque são maiores se a pancada não for tão forte. Àqueles que tiveram um impacto de grandes proporções, afora o atendimento médico imediato, é crucial manter um tratamento pós-traumático.

“O fato de o tratado ter uma idade longeva pode ocasionar um sangramento a posteriori, às vezes aparecendo semanas ou meses após o acidente, no que chamamos de Hematoma Subdural Crônico, isto é, quando há sangramento tardio alojado em alguma parte da caixa craniana. Assim, é imprescindível que a internação seja cautelosa, pausada e focada nas reações do paciente, fazendo com que ele retorne para novos exames ao menos por mais dois meses”, finaliza o especialista.

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