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Home Saúde

Janeiro Branco alerta para o impacto do estresse na saúde do coração

O estresse, quando pontual, faz parte da adaptação do corpo. O problema surge quando ele se torna crônico

André Silva Por André Silva
6 de janeiro, 2026
em Saúde
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Janeiro Branco alerta para o impacto do estresse na saúde do coração

Foto: Shutterstock

O Hospital Cardiológico Costantini reforça, durante a campanha Janeiro Branco, a importância de olhar para a saúde mental como parte indissociável da prevenção das doenças cardiovasculares.

A instituição tem registrado um crescimento significativo no número de pacientes com queixas cardíacas relacionadas ao estresse, ao burnout e ao ritmo acelerado da vida moderna, cenário que acende um alerta para os impactos silenciosos da sobrecarga emocional sobre o coração.

Fenômeno ocupacional

Reconhecido oficialmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um fenômeno ocupacional, o burnout está associado ao estresse crônico no trabalho que não foi adequadamente administrado. No Brasil, estimativas da International Stress Management Association (ISMA-BR) indicam que cerca de 30% dos trabalhadores apresentam sintomas da síndrome. Em paralelo, as doenças cardiovasculares seguem liderando as causas de morte no país, responsáveis por aproximadamente 30% dos óbitos anuais, segundo dados do Ministério da Saúde.

“Existe uma ligação direta e comprovada entre o estresse persistente e o adoecimento cardiovascular. Quando o organismo permanece em estado de alerta constante, há liberação excessiva de hormônios como o cortisol, aumento da inflamação sistêmica, elevação da pressão arterial e prejuízos importantes ao sono, fatores que sobrecarregam o coração”, explica Gustavo dos Reis Marques, médico cardiologista do Hospital Cardiológico Costantini.

O preço cardíaco da vida moderna

O estresse, quando pontual, faz parte da adaptação do corpo. O problema surge quando ele se torna crônico. Estudos científicos demonstram que pessoas submetidas a altas demandas profissionais, longas jornadas e pouca recuperação têm maior risco de desenvolver hipertensão, arritmias, síndrome coronariana e até eventos graves, como infarto e AVC.

“No consultório, é cada vez mais comum atender pacientes sem histórico cardíaco relevante, muitos deles jovens, que chegam com palpitações, dor no peito, picos de pressão e sensação de cansaço extremo. Em muitos casos, o coração está estruturalmente preservado, mas funciona em permanente estado de alerta por causa do estresse emocional e profissional”, relata o cardiologista.

Burnout e coração: um alerta que não pode ser ignorado

O Hospital Cardiológico Costantini observa que o ambiente de trabalho tem sido um fator determinante nesse cenário. Pressão por desempenho, dificuldade de desconexão fora do expediente e ausência de pausas adequadas contribuem para um desgaste progressivo do sistema cardiovascular.

“O coração não foi projetado para viver sob estímulo de emergência o tempo todo. Quando isso acontece, o risco cardiovascular aumenta de forma silenciosa. O burnout não afeta apenas a produtividade ou a saúde mental, ele tem consequências diretas e mensuráveis para o coração”, destaca Dr. Gustavo.

Prevenção começa pela mente

Durante o Janeiro Branco, o Hospital reforça que a prevenção passa por uma abordagem integrada. Dormir bem, respeitar momentos de pausa, praticar atividade física regular, buscar apoio psicológico e aprender a manejar o estresse são medidas fundamentais para proteger a saúde do coração. Para pessoas que já apresentam fatores de risco, como hipertensão, diabetes, colesterol elevado ou histórico familiar, o acompanhamento cardiológico regular é essencial.

“Cuidar da saúde mental é uma estratégia de prevenção cardiovascular. Quando a mente adoece, o coração sofre — e essa é uma mensagem que precisa ser compreendida pela população e pelas empresas”, afirma o especialista.

Um tema para o ano inteiro

Embora o Janeiro Branco concentre as ações de conscientização, o Hospital Cardiológico Costantini ressalta que o cuidado com a saúde emocional deve ser contínuo. Em um contexto de aumento dos casos de burnout e de manutenção das doenças cardiovasculares como principal causa de mortalidade, integrar mente e coração deixou de ser tendência e se tornou uma necessidade.

“Procurar ajuda é um ato de cuidado e prevenção. Um coração saudável começa, muitas vezes, pelo equilíbrio emocional”, conclui Dr. Gustavo.

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