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Home Doenças

Hantavírus: entenda o surto em navio na Argentina e os riscos no Brasil

O episódio ganhou repercussão mundial após passageiros apresentarem sintomas compatíveis com hantavirose durante uma expedição marítima próxima à Patagônia argentina

André Silva Por André Silva
8 de maio, 2026
em Doenças
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Hantavírus: entenda o surto em navio na Argentina e os riscos no Brasil

Foto: Shutterstock

Um surto de hantavírus registrado em um navio que partiu da Argentina colocou autoridades sanitárias internacionais em alerta e reacendeu dúvidas sobre os riscos da doença em outros países, incluindo o Brasil. O episódio ganhou repercussão mundial após passageiros apresentarem sintomas compatíveis com hantavirose durante uma expedição marítima próxima à Patagônia argentina.

Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional e autoridades de saúde locais¹,², o caso passou a ser monitorado devido à possibilidade de envolvimento da variante Andes do hantavírus, conhecida por raros registros de transmissão entre pessoas.

Embora a doença seja considerada rara, ela apresenta alta taxa de mortalidade em casos graves e já possui registros no território brasileiro³. Especialistas destacam, porém, que o risco de um grande surto no Brasil permanece baixo.

A seguir, entenda o que aconteceu no navio argentino, como o hantavírus é transmitido, quais são os sintomas e como prevenir a doença.

O que aconteceu no navio que saiu da Argentina?

O caso ocorreu durante uma viagem do navio de expedição MV Hondius, que havia partido da cidade de Ushuaia, no extremo sul da Argentina. Passageiros começaram a apresentar sintomas compatíveis com hantavirose após o embarque, o que levou autoridades sanitárias a iniciarem investigações epidemiológicas¹,².

De acordo com informações preliminares, a suspeita é que parte dos infectados tenha sido exposta ao vírus antes da viagem, possivelmente em regiões rurais da Patagônia, onde há circulação conhecida do hantavírus Andes².

O episódio chamou atenção internacional porque a variante Andes é uma das poucas associadas a possíveis casos de transmissão interpessoal, embora essa forma de disseminação seja considerada rara³,⁴.

Quantas pessoas morreram pelo Hantavírus nesta viagem?

Até o momento, autoridades argentinas investigam mortes e casos suspeitos relacionados ao surto no navio¹,².

O surto associado ao navio MV Hondius registrou, até hoje (8) três mortes confirmadas e ao menos oito casos relacionados à investigação epidemiológica internacional. Segundo autoridades de saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS), cinco casos já foram confirmados para hantavírus e outros três seguem sob investigação. Passageiros e tripulantes estão sendo monitorados em diferentes países após o desembarque do cruzeiro6.

Equipes de vigilância sanitária monitoram passageiros e tripulantes que tiveram contato próximo com os pacientes sintomáticos.

Entre as medidas adotadas estão:

  • rastreamento de contatos;
  • monitoramento clínico dos passageiros;
  • investigação ambiental;
  • análise laboratorial para identificação da cepa viral.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) acompanha o caso devido à repercussão internacional e à necessidade de monitoramento epidemiológico de doenças zoonóticas emergentes⁴.

Enquanto isso, o governo do Reino Unido também informou que outros dois britânicos tiveram infecção por hantavírus confirmada e um terceiro caso suspeito foi identificado na ilha de Tristão da Cunha após um surto registrado no navio de cruzeiro Hondius7.

O que é hantavírus?

O hantavírus é um vírus transmitido principalmente por roedores silvestres infectados³. Em humanos, ele pode causar a chamada hantavirose, doença que pode evoluir para uma síndrome cardiopulmonar grave.

No continente americano, a forma mais comum da doença é a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), caracterizada por comprometimento respiratório intenso³.

No Brasil, os primeiros casos foram identificados na década de 1990 e desde então a doença é monitorada pelo Ministério da Saúde³.

Como o vírus é transmitido?

A principal forma de transmissão ocorre pela inalação de partículas contaminadas presentes na urina, saliva e fezes de roedores infectados³.

O risco aumenta em situações como:

  • limpeza de locais fechados por muito tempo;
  • contato com celeiros, depósitos e galpões;
  • atividades rurais;
  • exposição a ambientes infestados por ratos silvestres.

Segundo o Ministério da Saúde³, a transmissão também pode ocorrer ao tocar objetos contaminados e levar as mãos aos olhos, nariz ou boca.

Em casos raros, algumas variantes — especialmente o vírus Andes — podem apresentar transmissão entre pessoas⁴.

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Variantes do hantavírus

Existem diferentes tipos de hantavírus circulando no mundo. Na América do Sul, a variante Andes é uma das mais conhecidas por estar associada a casos registrados na Argentina e no Chile⁴.

No Brasil, já foram identificadas diferentes cepas relacionadas a roedores silvestres locais³.

As variantes podem apresentar diferenças na gravidade da doença e na capacidade de transmissão, mas todas exigem atenção devido ao potencial de evolução rápida.

Sintomas da hantavirose

Os sintomas iniciais costumam ser semelhantes aos de outras infecções virais, o que pode dificultar o diagnóstico precoce³.

Os principais sinais incluem:

  • febre;
  • dores musculares;
  • dor de cabeça;
  • mal-estar;
  • náusea;
  • cansaço intenso.

Em alguns pacientes, o quadro evolui rapidamente para sintomas respiratórios graves.

Quando a doença se torna grave e quando procurar atendimento médico?

A fase grave da hantavirose pode causar:

  • falta de ar intensa;
  • acúmulo de líquido nos pulmões;
  • queda da pressão arterial;
  • insuficiência respiratória.

Segundo o Ministério da Saúde³, a doença pode evoluir rapidamente e exigir internação em unidade de terapia intensiva (UTI).

A recomendação é procurar atendimento médico imediatamente ao apresentar sintomas respiratórios após contato com áreas infestadas por roedores ou ambientes rurais de risco.

O diagnóstico precoce aumenta as chances de recuperação.

Existe risco de surto no Brasil?

O hantavírus já circula no Brasil e casos esporádicos são registrados principalmente em áreas rurais³.

As regiões com maior incidência histórica incluem:

  • Centro-Oeste;
  • Sul;
  • Sudeste.

Apesar disso, especialistas avaliam que o risco de um grande surto urbano no Brasil é considerado baixo, já que a principal forma de transmissão continua sendo o contato com roedores infectados³,⁴.

Além disso, o país mantém monitoramento epidemiológico da doença por meio das autoridades de saúde.

Formas de prevenção

A prevenção da hantavirose envolve principalmente o controle da exposição a roedores silvestres³.

As principais recomendações incluem:

  • evitar contato com fezes e urina de ratos;
  • manter ambientes limpos e ventilados;
  • armazenar alimentos corretamente;
  • vedar frestas e acessos para roedores;
  • utilizar luvas e máscara ao limpar locais fechados.

O Ministério da Saúde orienta que locais com sinais de infestação não devem ser varridos a seco, pois isso pode espalhar partículas contaminadas no ar³.

Existe tratamento ou vacina?

Atualmente, não existe vacina amplamente disponível contra hantavirose³.

Também não há antiviral específico para a doença. O tratamento é baseado em suporte clínico, especialmente controle respiratório e suporte intensivo nos casos graves.

Por isso, o diagnóstico rápido e o atendimento precoce são considerados fundamentais para reduzir complicações.

Dúvidas frequentes sobre hantavírus

  1. Hantavírus passa de pessoa para pessoa?

Na maioria dos casos, não. A transmissão ocorre principalmente pelo contato com partículas contaminadas por roedores³. Entretanto, a variante Andes já foi associada a raros casos de transmissão interpessoal⁴.

  1. Hantavírus mata?

Sim. A hantavirose pode apresentar alta taxa de mortalidade nos casos graves³.

  1. Qual a diferença entre hantavírus e leptospirose?

Embora ambas possam estar relacionadas a ratos, a leptospirose é causada por bactéria e geralmente está associada ao contato com água contaminada⁵. Já a hantavirose é causada por vírus transmitido principalmente pela inalação de partículas contaminadas³.

  1. O hantavírus existe no Brasil?

Sim. O Brasil registra casos da doença desde os anos 1990³.

  1. Quais animais transmitem hantavírus?

Principalmente roedores silvestres infectados³.

  1. Como limpar locais com fezes de rato?

A recomendação é umedecer o local com solução desinfetante antes da limpeza, evitando levantar poeira³.

  1. Hantavirose tem cura?

Não existe cura específica, mas muitos pacientes podem se recuperar com tratamento hospitalar adequado³.

Conclusão

O surto de hantavírus registrado em um navio que partiu da Argentina chamou atenção mundial por envolver uma variante rara do vírus e levantar discussões sobre transmissão e vigilância epidemiológica.

Embora o risco de disseminação ampla seja considerado baixo, especialistas reforçam a importância da prevenção, do controle de roedores e do diagnóstico precoce.

No Brasil, a doença já é monitorada pelas autoridades sanitárias, especialmente em áreas rurais. Informar a população sobre sintomas e formas de prevenção é essencial para reduzir riscos e garantir atendimento rápido em casos suspeitos.

Referências

  1. The Guardian. Argentina investigates hantavirus outbreak linked to cruise ship. Disponível em: https://www.theguardian.com/world/2026/may/07/argentina-origins-hantavirus-outbreak-cruise-ship-mv-hondius. Acesso em: 08/05/2026.
  2. Reuters. Argentina tests rodents after hantavirus outbreak linked to cruise ship. Disponível em: https://www.reuters.com/business/healthcare-pharmaceuticals/argentina-test-rodents-origin-point-hantavirus-hit-cruise-ship-2026-05-06/. Acesso em: 08/05/2026.
  3. Ministério da Saúde. Hantavirose: sintomas, transmissão e prevenção. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/h/hantavirose. Acesso em: 08/05/2026.
  4. Organização Mundial da Saúde (OMS). Hantavirus infections. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/hantavirus. Acesso em: 08/05/2026.
  5. Ministério da Saúde. Leptospirose: sintomas e prevenção. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/l/leptospirose. Acesso em: 08/05/2026.
  6. The Washington Post. Disponível em: https://www.washingtonpost.com/health/2026/05/07/hantavirus-outbreak-cruise-tracing-contacts/. Acesso em: 08/05/2026.
  7. G1. Disponível em: https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/05/08/outros-dois-britanicos-estao-entre-os-infectados-pelo-hantavirus-em-cruzeiro-diz-reino-unido.ghtml. Acesso em: 08/05/2026.
Fonte: Guia da Farmácia
André Silva

André Silva

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