O aumento dos custos da assistência à saúde está reforçando a busca por soluções que reduzam despesas sem comprometer os resultados positivos para os pacientes e os farmacêuticos que atuam no varejo estão no centro de muitas dessas soluções. Esses profissionais ajudam os pacientes a controlar doenças crônicas, tratando enfermidades menores e realizando o gerenciamento da farmacoterapia.
Cada vez mais estados têm aprovado legislações que permitem às farmácias oferecer esses e outros serviços de saúde. Além disso, alguns países — incluindo Canadá, Inglaterra e Escócia — concederam aos farmacêuticos ampla autonomia para tratar determinadas condições.
Um relatório abrangente publicado no ano passado pela Health Action Alliance, uma rede com mais de 11 mil empresas que busca promover a assistência médica patrocinada por empregadores, citou diversos estudos que apoiam a ampliação do papel dos farmacêuticos comunitários no sistema de saúde dos Estados Unidos.
“À medida que os custos da saúde aumentam e o acesso continua desigual, os serviços prestados por farmácias oferecem uma solução oportuna e escalável para os empregadores”, concluiu o relatório, patrocinado pela NACDS. “Os farmacêuticos já estão inseridos em comunidades de todo o país e oferecem uma ampla gama de serviços de saúde, desde exames preventivos e gerenciamento de doenças crônicas até apoio à saúde mental.”
Por exemplo, o relatório constatou uma economia entre US$ 1,29 e US$ 18,50 para cada dólar investido em diversos serviços farmacêuticos, incluindo gerenciamento da farmacoterapia, programas de controle de doenças, suporte ao cuidado de condições crônicas e prescrição realizada por farmacêuticos.
O relatório também citou um estudo realizado em farmácias do estado de Washington que mostrou que o custo médio de atendimento para determinados serviços de saúde foi US$ 278 menor do que em ambientes médicos tradicionais. A pesquisa utilizou dados de 46 farmácias e os comparou com dados de um plano de saúde referentes a tratamentos não realizados em farmácias para condições semelhantes.
As condições analisadas incluíram asma, alergias, dores de cabeça, herpes-zóster (cobreiro), queimaduras, mordidas de animais, entre outras. A eficácia de cada atendimento foi avaliada com base na necessidade ou não de uma consulta de acompanhamento.
“De modo geral, esta pesquisa demonstrou tanto a viabilidade quanto uma economia significativa para os pacientes e para a saúde pública quando o atendimento foi prestado por um farmacêutico comunitário em comparação com profissionais de locais tradicionais de atendimento”, concluiu o relatório.
Além da redução de custos, o relatório da AHA também citou pesquisas que indicam melhores resultados de saúde associados aos cuidados prestados em farmácias. Os estudos mostraram que os farmacêuticos podem ter impacto positivo em condições como diabetes, doenças cardiovasculares, saúde mental, câncer, dor crônica, HIV e doenças respiratórias.
A capacidade dos farmacêuticos de oferecer diferentes serviços de saúde varia de acordo com cada estado, mas ganhou força após a pandemia, que forneceu evidências concretas do potencial de expansão de seu papel nos ecossistemas de saúde.
Cada vez mais estados ampliam a atuação dos farmacêuticos
Cada vez mais estados têm aprovado legislações permitindo que farmácias ofereçam esses e outros serviços de saúde. Além disso, países como Canadá, Inglaterra e Escócia vêm concedendo aos farmacêuticos maior autonomia para tratar determinadas condições.
A Escócia lidera o movimento
Outros países, incluindo Canadá e Reino Unido, têm permitido progressivamente que farmacêuticos assumam um papel mais importante no atendimento à crescente demanda por serviços de saúde.
A Escócia talvez seja o melhor exemplo dessa ampliação do escopo de atuação. Em 2020, o país lançou o programa Pharmacy First, criando uma lista de condições que podem ser tratadas por farmacêuticos, incluindo rinite alérgica sazonal (febre do feno), impetigo, herpes-zóster, infecções de pele e infecções urinárias.
O programa foi criado para aliviar a pressão sobre clínicos gerais, hospitais e outras áreas do sistema de saúde que historicamente enfrentam dificuldades para acompanhar o aumento da demanda.
Nos quatro primeiros anos do serviço Pharmacy First da Escócia, mais de um terço da população utilizou o programa pelo menos uma vez, segundo uma reportagem do The Pharmaceutical Journal, baseada em dados da Public Health Scotland. O serviço mostrou-se especialmente popular em comunidades menos favorecidas economicamente, onde 41% da população o utilizou, em comparação com 33,7% nas comunidades mais ricas.
A Inglaterra segue o exemplo
Posteriormente, a Inglaterra lançou seu próprio programa Pharmacy First em 2024, também com o objetivo de aliviar a sobrecarga dos médicos.
A versão inglesa permite que farmacêuticos tratem sete condições médicas diferentes por meio da prescrição direta de medicamentos. A London School of Hygiene and Tropical Medicine (LSHTM) está atualmente na metade de uma avaliação planejada para três anos, destinada a medir a eficácia e os custos do programa.
Algumas pesquisas indicam que o programa foi bem recebido tanto pelos consumidores quanto pelos farmacêuticos, embora sua efetividade ainda não tenha sido plenamente comprovada.
Um relatório da Healthwatch England mostrou que 98% das farmácias inglesas aderiram ao programa no primeiro ano, realizando 2,4 milhões de consultas relacionadas às sete condições cobertas.
Os consumidores demonstraram satisfação com o serviço. Uma ampla maioria (86%) relatou uma experiência positiva ao procurar uma farmácia para tratar uma dessas condições.
Entre os principais problemas apontados estavam:
- Escassez de medicamentos, citada por quase um quarto dos pacientes;
- Preocupações com a privacidade ao discutir sua condição com farmacêuticos, mencionadas por 8% dos pacientes.
O caso do Canadá
Da mesma forma, um estudo recente no Canadá analisou o impacto de uma mudança na legislação da província de Ontário em 2023, que passou a permitir que farmacêuticos prescrevessem medicamentos para determinadas condições.
A pesquisa, publicada no Journal of Health Economics, constatou que, no primeiro ano, a mudança resultou em uma redução de 9% nas visitas a serviços de emergência e hospitais.
O relatório também identificou um aumento de 4% nas visitas a centros de atendimento ambulatorial, sugerindo que os farmacêuticos também contribuíram para direcionar parte dos pacientes para clínicas ambulatoriais em vez de hospitais e pronto-socorros.









