O Dezembro Laranja, campanha anual da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), reforça uma realidade que passa despercebida por grande parte da população: o câncer de pele é o mais frequente no Brasil, representando cerca de 30% de todos os diagnósticos de câncer no país.
Segundo a dermatologista Elisabeth Lima, que atua com ênfase em dermatologia oncológica e doenças autoimunes, um dos principais fatores para esse alto índice é o perfil do clima brasileiro. “Moramos em um país muito ensolarado. A exposição solar irracional, sem fotoproteção adequada, favorece para que o câncer de pele seja o mais frequente”, destaca.
A radiação ultravioleta acumulada ao longo da vida é o maior gatilho para o surgimento da doença — e ela atinge desde pessoas que buscam bronzeado até quem se expõe diariamente ao sol no trabalho.
“A radiação solar é como juro na conta atrasada, vai juntando com o passar do tempo. Os danos causados pelo sol na infância e na adolescência se acumulam e podem se manifestar décadas depois, aumentando consideravelmente as chances de câncer de pele”, explica a médica.
Cuidados essenciais
Viver em um país tropical exige atenção diária à fotoproteção. Elisabeth Lima lista as medidas indispensáveis:
- Uso de protetor solar FPS 30 ou mais, todos os dias;
- Reaplicar o produto a cada duas horas — hábito que a maioria das pessoas desconhece ou negligência;
- Evitar exposição solar entre 10h e 15h;
- Utilizar chapéus, roupas claras, guarda-sol e outras barreiras físicas.
Bronzeado é saúde?
Para a dermatologista, a diferença entre saúde e agressão à pele depende da forma como o bronzeado é obtido.
“Tudo depende do seu fototipo, pacientes com pele clara, olhos claros, cabelos claros ou ruivos apresentam fator de risco aumentado. Se o bronzeado é feito cedo, com pouca exposição e com fotoproteção, o risco da ocorrência do câncer de pele é menor. Mas se a exposição solar ocorre em horários de sol intenso e sem fotoproteção, é sim uma agressão. Quando a pele descama depois do bronzeado, significa que aquelas células morreram. É um sinal claro de dano solar”, explica.
Sinais de alerta: quando procurar um dermatologista?
A especialista orienta quanto aos sinais de alerta com especial atenção a pintas e outras lesões com risco de câncer de pele que apresentem:
- Crescimento rápido;
- Sangramento fácil;
- Feridas que não cicatrizam;
- Cor escura, semelhante a borra de café;
- Lesões em forma de “crostas” que caem e voltam repetidamente.
“Esses quadros exigem atenção, pois podem indicar desde lesões pré-cancerosas até o câncer de pele.”
Com que frequência fazer avaliação preventiva?
A frequência varia conforme o perfil do paciente:
Pessoas de alto risco (pele clara, olhos e cabelos claros) necessitam de avaliações anuais ou, imediatamente, no aparecimento de sinais de alerta
Tratamento e chances de cura
O câncer de pele, quando diagnosticado cedo, tem altas chances de cura. A especialista explica que o tratamento depende do tipo e da fase da lesão:
Lesões pré-cancerosas: A queratose actínica (lesão de pele causada pela exposição crônica ao sol ao longo dos anos) surge em áreas muito expostas ao sol, como rosto, orelhas, braços e couro cabeludo.
Tratamentos mais comuns:
- Crioterapia: congelamento da lesão com nitrogênio líquido;
- Cremes medicamentosos: usados para tratar várias lesões ao mesmo tempo;
- Terapia fotodinâmica: aplicação de uma substância seguida de luz especial para destruir células alteradas.
Câncer de pele não melanoma: Inclui o carcinoma basocelular e o carcinoma espinocelular.
Tratamentos:
- Cirurgia, que é o método mais utilizado;
- Cirurgia de Mohs, indicada para tumores em áreas delicadas do rosto;
- Curetagem e eletrocoagulação, para lesões pequenas;
- Radioterapia, quando a cirurgia não é possível.
Melanoma: É o tipo mais agressivo.
Tratamento:
- Cirurgia precoce é fundamental;
- Em casos avançados, imunoterapia e terapias-alvo aumentam a sobrevida.
Por que tratar cedo?
Tratar no início significa maior chance de cura, procedimentos menos invasivos e melhor resultado estético. Qualquer mancha que mude de cor, cresça, sangre ou não cicatrize deve ser avaliada por um dermatologista. A proteção solar diária continua sendo a forma mais eficaz de prevenção.
“Quanto mais cedo identificamos, maior é a chance de cura. A fase da lesão é decisiva. Quando a doença é descoberta na fase inicial é feita a cirurgia e as chances de cura são de até 90%. Mas, quando diagnosticada tardiamente, até órgãos importantes como boca, olhos e orelhas podem ser afetados, precisando até amputá-los. O tipo mais grave da doença é o melanoma, quando não diagnosticado precocemente o risco de morte chega a até 75%”, alerta Elisabeth Lima.










