No Brasil, o número de diabéticos já passa de 20 milhões, de acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). Se esse dado já não fosse preocupante, a Federação Internacional de Diabetes (IDF) estima que a prevalência da doença no Brasil é 10,5% da população.1
Dentre tipos, o diabetes tipo 2 é a maioria. Já o diabetes tipo 1 responde por cerca de 600 mil casos. Ainda segundo a IDF, o Brasil ocupa o 6º lugar no mundo entre os países com mais pessoas com diabetes no geral e o 3º lugar quando se fala em diabetes Tipo 1.1
Dia Nacional do Diabetes
26 de junho é lembrado pelo Dia Nacional do Diabetes, data instituída pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico precoce e do controle adequado da doença.
Além dos números já citados sobre a doenças no Brasil, em âmbito mundial, de acordo com o artigo publicado pela revista científica The Lancet, o número de pessoas com diabetes pode chegar a 1,3 bilhão nos próximos trinta anos no mundo. Atualmente, a doença está em mais de meio bilhão de pessoas, incluindo homens, mulheres e crianças. Segundo cálculos recentes, a taxa de prevalência mundial é de 6,1%, tornando a patologia uma das dez principais causas de morte.
Aumento expressivo no número de casos
A PhD em endocrinologia pela USP e metabologista, Dra. Elaine Dias JK, confirma que os casos vêm aumentando expressivamente e, muitas vezes, de forma silenciosa, especialmente entre pacientes do sexo feminino. “Na clínica, atendemos muito mais mulheres, de diferentes faixas etárias. A doença é causada pela baixa produção ou má ação da insulina, hormônio responsável por regular a glicose no sangue e garantir a energia para o organismo. Infelizmente, a estimativa é que até 2045 a patologia afete 23,2 milhões de brasileiros adultos”, diz.
O que é o diabetes?
O diabetes é uma doença crônica causada pela má absorção ou produção insuficiente ou inexistente de insulina, o hormônio que regula a glicose no sangue. Esse hormônio tem a função de quebrar as moléculas de glicose e transformá-las em energia para a manutenção das células do organismo. 2
Quando há uma disfunção na liberação desse hormônio, a glicemia sobe e as altas taxas de açúcar no sangue podem levar a severas complicações em órgãos como rins e coração, além de afetar a visão, nervos e comprometer artérias.2
A progressão da doença, especialmente sem controle, pode levar a amputações, cegueira, insuficiência renal e até a morte.
Tipos de diabetes
Os tipos mais comuns de diabetes são o 1, 2 e o diabetes gestacional.
Tipo 2
Ocorre quando o organismo não consegue utilizar de forma adequada a insulina que produz levando a um quadro de resistência à insulina ou ainda quando não produz insulina suficiente para controlar as taxas de glicemia.
O diabetes tipo 2 está relacionado a fatores de risco como obesidade, dieta não saudável e falta de atividade física. Ele se manifesta mais frequentemente em adultos, mas crianças e adolescentes não estão livres da doença.
No início pode ser controlado com atividade física, redução do peso e planejamento alimentar. Em casos mais severos, seu controle exige o uso de medicamentos orais ou até mesmo insulina. 1
Tipo 1
O diabetes Tipo 1 é aquele que normalmente acomete o paciente ainda na infância, mas também pode surgir na adolescência ou na vida adulta.
É uma predisposição genética onde o organismo ataca, equivocadamente, as células beta, ou seja, as células do pâncreas que produzem insulina. Isso leva a pouca ou nenhuma produção do hormônio, gerando o acúmulo de glicose no sangue e consequentemente a necessidade da aplicação de injeções diárias de insulina.
A prática de atividade física e o planejamento alimentar também fazem parte das ações para controlar os níveis de glicose no sangue.1
O diabetes Tipo 1 é uma condição grave e que pode levar a consequências devastadoras na vida do paciente como comprometimento da visão, da função renal, artérias, coração, entre outros.
Diabetes gestacional
O diabetes gestacional afeta entre 2 e 4% das gestantes no Brasil e implica em risco aumentado para o desenvolvimento posterior da doença tanto para o bebê quanto para a mãe.
Ele ocorre temporariamente durante a gravidez, quando as taxas de açúcar no sangue ficam acima do normal, mas ainda abaixo do valor para ser classificada como diabetes tipo 2.
É importante que toda gestante receba acompanhamento e faça o controle dos níveis glicêmicos regularmente, durante o pré-natal. Mulheres com a doença têm maior risco de complicações durante a gravidez e o parto.2
Tratamento
Hoje em dia, existem inúmeras opções de tratamentos para o diabetes. A Dra. Elaine explica que atualmente existem diversas opções, tanto orais quanto por meio de aplicações de insulina. “Hoje, temos insulinas de longa duração e medicamentos orais que ajudam a controlar os níveis glicêmicos, melhoram a função renal e a insuficiência cardíaca, como os inibidores de SGLT2 (Jardiance, Forxiga e Xigduo). Também dispomos de medicamentos subcutâneos aplicados uma vez por semana que, além de melhorarem o controle da glicemia, auxiliam no emagrecimento e na redução de eventos cardíacos, como os análogos de GLP-1 (Saxenda, Ozempic e Wegovy) e os agonistas de GLP-1 e GIP (Monjauro), que são hormônios intestinais”.
A especialista destaca ainda os avanços tecnológicos que auxiliam no controle diário da doença, como os sensores contínuos de glicemia, que dispensam a picada no dedo. “O aplicativo FreeStyle Libre permite que o paciente acompanhe a dosagem de açúcar no sangue pelo celular e compartilhe os dados facilmente com o médico. São muitos recursos que facilitam o dia a dia dos pacientes, mas, mesmo com todos esses avanços, é fundamental prevenir, ter cuidados com a alimentação e manter acompanhamento médico regular”, comenta a Dra. Elaine.










