O ano está acabando e muitas pessoas começam a planejar (ou já planejaram) as festividades com o objetivo de celebrar a chegada de 2025. Seja no centro urbano, em praias ou lugares fechados, é certo que o local das festividades terá bastante aglomeração, e isso pode ser o ambiente perfeito para a transmissão de muitas doenças.
De acordo com Alexandre Piva Sobrinho, médico infectologista e professor do curso de Medicina da Universidade Cidade de S. Paulo – UNICID, o período do réveillon brasileiro coincide com o verão: além do calor, as chuvas aumentam a proliferação de mosquitos, elevando o risco de doenças. Entre as mais comuns se encontram:
– Doenças Respiratórias [Influenza (gripe), Covid e RSV (Vírus Sincicial Respiratório)]: a forma mais comum de transmissão é por meio de gotículas do indivíduo contaminado ao falar, espirrar e tossir;
– Doenças transmitidas pela água ou alimentos contaminados (Hepatite A): a pessoa infectada elimina o vírus pelas fezes e urina, podendo contaminar um alimento – trata-se de transmissão oral-fecal;
– Gastroenterite: se apresenta clinicamente com vômitos e diarreia, conhecida popularmente como intoxicação alimentar (diarreia infecciosa com inúmeros agentes etiológicos);
– Arboviroses (Dengue, Zika, Chikungunya, Malária, Febre Amarela): doenças transmitidas pela picada de inseto;
– ISTs (Infecção Sexualmente Transmissíveis, como HIV, HPV, Sífilis, Gonorreia): o maior consumo de bebida alcoólica aumenta o risco de exposição a essas infecções, que podem evoluir para doenças (por exemplo, o HIV pode causar a Aids, ou Síndrome da Imunodeficiência Adquirida), e por diminuir a atenção dada às estratégias de prevenção, daí a importância de utilizar preservativo em todas as relações sexuais;
– Doenças de Pele (Micoses e Dermatites): quanto maior o calor e a umidade, maior a proliferação de fungos e risco de contágio. A transmissão pode ocorrer por meio de contato com a areia e água contaminadas nas praias.
“Quanto maior o número de pessoas no mesmo local, as chances de disseminação de vírus e bactérias são mais elevadas, resultando nas doenças respiratórias como Covid, Influenza, RSV e até meningite meningocócica em época de epidemia, entre outras”, afirma Piva.
Ambientes urbanos
Já a biomédica Ertênia Paiva Oliveira, professora do curso de Biomedicina do Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ, diz que para se proteger em festas em locais urbanos é preciso higienizar bem as mãos com água e sabão ou álcool 70%. Isso reduz significativamente a transmissão de patógenos entéricos e respiratórios.
“Além do cuidado com as mãos, é importante estar em dia com a caderneta de vacinação contra Influenza e Covid-19. Em locais fechados ou situações de alta densidade populacional, o uso de máscaras é recomendado para prevenir a transmissão de doenças respiratórias, especialmente durante períodos de alta circulação viral”, comenta a biomédica.
Ainda de acordo com a professora do UNIPÊ, não compartilhar objetos pessoais é extremamente importante, já que podem atuar como fômites (peças capazes de transportar micro-organismos), principalmente em relação a doenças como mononucleose e herpes simples.
“Evite o consumo de alimentos de origem ou manipulação duvidosa, e garanta que a água seja de fonte segura ou tratada. Isso minimiza o risco de doenças transmitidas por via fecal-oral”, afirma Oliveira.
Litoral
Já as celebrações no litoral podem transmitir diversas enfermidades diferentes, devido a fatores ambientais, comportamentais e biológicos, conforme explica o professor de Medicina da UNICID.
“Infecções causadas por vetores possuem maior presença em regiões litorâneas, como Aedes Aegypti, responsável pela transmissão da Dengue, Zika e Chikungunya, devido ao acúmulo de água. Daí a importância do uso de repelente, ter telas nas janelas, evitar regiões com água parada e vacinar-se”, afirma.
O infectologista ressalta que ao fazer festas na praia é importante evitar permanecer por tempo prolongado com roupas úmidas, além de ficar por muito tempo na areia molhada, e ao ir aos banheiros públicos, as pessoas devem utilizar algum tipo de calçado, com o objetivo de evitar infecções.
Piva faz um alerta para os viajantes: “Neste período de verão são bastante comuns as viagens em cruzeiros marítimos, que pode aumentar consideravelmente o risco de contaminação, principalmente por doenças respiratórias e diarreicas. Portanto, vale adotar os cuidados contra infecções”, finaliza.
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