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Home Doenças

Zumbido no ouvido: saiba quando procurar um otorrino

Mais de 28 milhões de brasileiros relatam sentir algum grau de zumbido no ouvido, segundo dados do Ministério da Saúde

André Silva Por André Silva
28 de agosto, 2025
em Doenças
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Zumbido no ouvido: saiba quando procurar um otorrino

Foto: Shutterstock

Mais comum do que se imagina, o zumbido no ouvido, caracterizado por algum chiado, apito ou som constante, pode ser mais do que um simples incômodo. Mais de 28 milhões de brasileiros relatam sentir algum grau de zumbido no ouvido, segundo dados do Ministério da Saúde.

E, embora muitas vezes encarado como um incômodo passageiro, quando persistente ou acompanhado de outros sintomas, o zumbido pode indicar problemas de saúde mais sérios, como tumores, alterações vasculares ou doenças do ouvido interno.

De acordo com Henrique Furlan, otorrinolaringologista dos hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru, o zumbido em si não é uma doença, mas pode ser um alerta emitido pelo corpo para a identificação de alguma condição. “O zumbido é apenas um sintoma, não o problema. Pode ter causas simples, como acúmulo de cera, mas também pode apontar condições que exigem atenção médica imediata”, reforça.

Causas e fatores de risco

Entre os principais motivos do zumbido no ouvido estão a perda auditiva relacionada à idade, exposição prolongada a ruídos intensos, infecções, disfunções da articulação temporomandibular (ATM) e problemas circulatórios. Além disso, o estresse e a ansiedade também podem agravar o quadro, tornando o zumbido mais frequente ou incômodo.

O uso frequente de fones pode ser uma séria ameaça à saúde auditiva, especialmente os modelos intra-auriculares, que direcionam o som diretamente ao tímpano e potencializam danos quando usados em volume alto ou por longos períodos. “A exposição prolongada a sons acima de 85 decibéis já é suficiente para causar perda auditiva progressiva e irreversível”, alerta Furlan.

Para se proteger, ele indica optar por modelos externos com cancelamento de ruído, que permitem ouvir em volumes mais baixos, e adotar a regra 60/60: ouvir no máximo a 60% do volume por até 60 minutos, fazendo pausas.

Quando se preocupar

De acordo com o especialista, é importante procurar um otorrinolaringologista se o zumbido surgir de forma súbita, persistir por vários dias, estar presente apenas em um dos ouvidos, vir acompanhado de tontura, dor ou secreção, e ter ritmo pulsátil, como se acompanhasse os batimentos cardíacos. “Esses sinais podem indicar problemas mais sérios, como a Doença de Ménière, surdez súbita ou até mesmo tumores benignos, como o schwannoma vestibular, também conhecido como neuroma acústico, que, além da audição, pode afetar também o equilíbrio”, alerta.

Embora o zumbido nem sempre esteja associado a uma condição grave, Furlan ressalta a importância de investigar suas causas. Isso porque o sintoma pode afetar profundamente a qualidade de vida do paciente, desencadeando distúrbios como insônia, irritabilidade, dificuldade de concentração, ansiedade e até depressão— fatores que, por sua vez, podem intensificar ainda mais a percepção do zumbido.

Principais tratamentos

A boa notícia é que, uma vez identificada a causa, o tratamento costuma apresentar bons resultados. Pode variar desde a limpeza de cera acumulada, uso de aparelhos auditivos, terapias sonoras e tratamento da ansiedade, até intervenções mais específicas, nos casos mais complexos. “O mais importante é não ignorar um zumbido quando ele persiste e interfere na qualidade de vida. Quanto antes for avaliado, melhores as chances de tratamento e recuperação”, finaliza o especialista.

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