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Home Saúde

Menopausa: veja 4 complicações relacionadas à falta de tratamento

Ansiedade, depressão, perda de libido, distúrbios do sono e da concentração são alguns dos problemas

André Silva Por André Silva
23 de outubro, 2026
em Saúde
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Menopausa: veja 4 complicações relacionadas à falta de tratamento

Foto: Shutterstock

A menopausa é frequentemente temida pelas mulheres, não apenas pelas implicações da aproximação da velhice, mas também pelos muitos sintomas que traz.

“Os sintomas do climatério incluem irregularidade menstrual, ondas de calor, suores noturnos, secura vaginal, alterações de humor e insônia”, explica o ginecologista Dr. Nélio Veiga Junior, Mestre e Doutor em Tocoginecologia pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM/UNICAMP).

Ansiedade, depressão, perda de libido, distúrbios do sono e da concentração também são alguns dos problemas, segundo a Dra. Patricia Magier, ginecologista formada pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

“Estes sinais e sintomas podem começar anos antes da menopausa, um período conhecido como perimenopausa, quando há grandes oscilações hormonais, mas tendem a continuar sua manifestação por muitos anos mesmo depois da menopausa”, explica a médica.

“No entanto, outras complicações são potencialmente mais graves do que essas. Há questões médicas envolvidas e um risco aumentado de doenças, por isso não é aconselhável ignorar o tratamento nesse período. Mulheres na pós-menopausa podem apresentar problemas cardiovasculares, diminuição da resistência óssea, ganho de peso, incontinência urinária e aumento da massa gorda”, completa a Dra. Patricia.

A seguir, conheça as 4 complicações médicas da menopausa:

1. Doenças cardiovasculares

Em mulheres na menopausa, o risco cardiovascular aumenta, atribuído aos efeitos combinados da vasoconstrição e alterações desfavoráveis no perfil lipídico. “Tanto o AVC (acidente vascular cerebral) quanto a doença arterial coronariana aumentam de 2 a 3 vezes mais do que em mulheres na pré-menopausa. A terapia de reposição hormonal é indicada para prevenir o risco cardiovascular”, explica a Dra. Patricia.

“O estrogênio está associado à manutenção da elasticidade dos vasos, redução do colesterol ‘ruim’ (LDL) e produção do colesterol ‘bom’. Então, com a redução nos níveis desse hormônio na menopausa, há um maior acúmulo de placas de colesterol, aumento da pressão arterial e, consequentemente, risco elevado de doenças cardiovasculares. A terapia hormonal pode ajudar a contornar essa situação”, destaca o Dr. Igor Padovesi, especialista em menopausa certificado pela North American Menopause Society (NAMS) e membro da International Menopause Society (IMS).

2. Osteoporose e problemas articulares

A resistência óssea diminui significativamente após a menopausa devido à deficiência de estrogênio, que começa por volta dos 40 anos.

“Nessa época, 0,3% a 0,5% dos ossos são perdidos a cada ano, aumentando dez vezes ao longo dos 5 a 7 anos seguintes. Com a queda do estrogênio, há maior reabsorção e menor produção óssea. Além da terapia de reposição hormonal, indicamos exercícios, cessação do tabagismo e suplementação de cálcio”, destaca a Dra. Patrícia Magier.

Além da questão das fraturas, na menopausa, as mulheres também têm maior risco de sofrerem com problemas nas articulações.

“Conforme a produção hormonal é alterada na menopausa e os níveis de estrogênio diminuem, as articulações ficam mais inflamadas, o que causa dor em regiões como mãos, joelhos e ombros e favorece o surgimento de condições como a artrite e artrose”, explica o Dr. Marcos Cortelazo, ortopedista especialista em joelho e traumatologia esportiva.

O médico ainda afirma que o risco é maior de lesões na articulação do joelho devido a anatomia natural das mulheres.

“De maneira geral, as mulheres possuem uma bacia mais larga (ginecoide), tendem a ter joelhos valgos (arqueados para dentro) e apresentam um ângulo do quadríceps maior. Esses fatores causam alterações biomecânicas e de alinhamento, especialmente nos membros inferiores, aumentando assim a suscetibilidade das mulheres de sofrerem com condições como a condromalácia patelar, caracterizada pelo amolecimento da cartilagem da patela”, diz o especialista.

3. Incontinência urinária

A perda urinária sem desejo consciente da mulher pode provocar grande desconforto físico, social e psicológico, principalmente pelo fato de ser uma situação imprevisível, podendo ocorrer a qualquer hora e em qualquer lugar, segundo a Dra. Ana Paula Fabricio, ginecologista, com Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (TEGO).

“Por isso, é muito importante alertar o seu médico sobre o problema para que ele possa determinar protocolos de tratamento específicos para a condição, que pode ser causada por fatores como transição menopausal, menopausa, excesso de exercícios físicos, envelhecimento e partos normais prévios. Existe uma série de opções terapêuticas eficazes para o problema, incluindo fortalecimento muscular, fisioterapia pélvica, eletroestimulação, uso de hormônios tópicos vaginais, turgência local e até mesmo a realização de cirurgias em casos mais graves”, destaca a especialista Dra. Ana Paula.

“A secura urovaginal também pode tornar a relação sexual dolorosa, levando a uma perda secundária da libido, agravando a redução do desejo sexual devido às próprias alterações hormonais; e as mudanças resultantes no relacionamento podem levar isso a um ciclo vicioso”, destaca a médica Dra. Patrícia.

4. Burnout e afastamento profissional

Os sintomas da menopausa podem afetar o desempenho no local de trabalho. “Relatos recentes sugerem que as mudanças hormonais durante este período estão contribuindo para um aumento na saída de mulheres do mercado de trabalho, levantando questões importantes sobre como as empresas podem apoiar melhor suas funcionárias. Cada vez mais as lideranças executivas são femininas, muitas empresas já abraçaram a causa da maternidade, mas a menopausa ainda é um tabu no ambiente corporativo; os homens ainda são maioria entre líderes e presidentes de empresas e não entendem esse período específico”, explica o ginecologista Dr. Igor.

“O risco é que, em vez de evoluirmos, criemos um novo estigma que desvaloriza justamente as mulheres mais experientes, em cargos de liderança ou em fase de grande contribuição profissional”, explica a médica Dra. Ana Paula Fabricio.

“As ondas de calor, urgência e incontinência urinária, sono insatisfatório, dores de cabeça e enxaquecas, mau humor, irritabilidade, ansiedade ou ataques de pânico, com perda de concentração e memória, são sintomas que afetam a mulher no ambiente profissional. A falta de compreensão dos motivos da deterioração do desempenho ou da necessidade de pausas ou folgas durante esse período pode levar a ações discriminatórias contra as mulheres, o que pode aumentar a pressão sobre ela e causar problemas emocionais ainda maiores que necessitarão de afastamento”, diz a Dra. Patrícia.

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Reposição hormonal

Segundo o ginecologista Dr. Nélio, na menopausa, o tratamento sempre envolve uma atuação de equipe multidisciplinar. “Sempre iniciar com mudanças no estilo de vida: prática regular de atividade física, alimentação balanceada, cuidar do peso, evitar tabagismo, álcool e cafeína, introduzir técnicas para reduzir o estresse (ioga, meditação e técnicas de relaxamento).

Suplementação de polivitamínicos (cálcio e vitamina D, que atuam na prevenção da osteoporose) também ajudam. E a terapia de reposição hormonal (TH). Os estudos já evidenciam que a TH tem um impacto positivo na qualidade de vida de mulheres com sintomas climatéricos severos e melhoram os fogachos e episódios de suores noturnos, melhorando a qualidade do sono dessas mulheres”, diz o Dr. Nélio.

A ginecologista Dra. Patricia explica que a terapia de reposição hormonal é importante nesse período e visa não só minimizar os distúrbios causados pelos sintomas da menopausa como também evitar as complicações a longo prazo.

“Além de tratar as alterações hormonais em mulheres na menopausa, também é importante incentivar o aumento da atividade física, o consumo de uma dieta balanceada e a modificação de quaisquer hábitos de vida prejudiciais”, finaliza a Dra. Patricia Magier.

Fontes: ginecologistas Dra. Patricia Magier, Dr. Nélio Veiga Junior, Dr. Igor Padovesi, Dra. Ana Paula Fabricio, e ortopedista Dr. Marcos Cortelazo.

Fonte: Guia da Farmácia
André Silva

André Silva

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