O Nordeste vem se consolidando como uma das regiões mais estratégicas para pesquisa, desenvolvimento e fornecimento de ativos para a indústria nacional da beleza e cuidados pessoais.
Segundo dados do Panorama do Setor 2026, da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), existem 413 empresas instaladas, sendo 121 delas no Ceará, estado que concentra o maior número de operações e se destaca como polo produtor e estratégico para grandes marcas.
O avanço é impulsionado pela combinação entre crescimento industrial e valorização de ingredientes brasileiros em formulações cada vez mais voltadas à ciência e à sustentabilidade.
Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), revelou que sete em cada dez empresários do setor, o equivalente a 70%, consideram a bioeconomia essencial para o futuro do mercado e que a sustentabilidade funcionará como um dos principais vetores de competitividade e inovação no país.
Inovação cosmética
Mas esse destaque regional vai além do aumento no número de empresas. Para especialistas do mercado, o Nordeste passou a ocupar uma posição estratégica dentro da cadeia de inovação cosmética por reunir características difíceis de reproduzir em outras regiões do Brasil: biomas únicos, disponibilidade de ativos naturais ainda pouco explorados comercialmente e um ecossistema crescente de pesquisa ligado a universidades, laboratórios e centros de desenvolvimento.
Um estudo realizado em 2025 pela Universidade Tiradentes (Unit), mostrou como as frutas e plantas típicas locais são diferenciais importantes na criação de produtos farmacêuticos e cosméticos de alto valor agregado.
A iniciativa, abriu novas perspectivas para a bioeconomia regional trazendo a mangaba, o jenipapo e outros bioativos regionais como ingredientes inovadores, aplicados em produtos com propriedades cicatrizantes, tintas capilares naturais e protetores solares com características multifuncionais e veganas.
Segundo Ana Beatriz Elia, líder da in-cosmetics Latin America, a movimentação acompanha uma tendência global, de “beauty from biodiversity”, na qual a origem dos ingredientes se torna tão importante quanto a performance da formulação.
“Antes o consumidor procurava apenas a funcionalidade do produto, mas estamos vivendo em um momento onde os questionamentos aumentaram: do que ele é feito? É natural? Por qual processo ele passou até chegar na minha prateleira? O Nordeste reúne atributos que favorecem essas respostas pela conexão entre ciência e mercado”, afirma.
O Ministério do Meio Ambiente (MMA) destaca que o Brasil concentra cerca de 15% da biodiversidade mundial, cenário que também reforça o interesse da indústria de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos (HPPC) por matérias-primas ligadas ao bioma.
“Em edições recentes da in-cosmetics Latin America, observamos um crescimento significativo do interesse por ingredientes do Nordeste, tanto por parte de formuladores quanto de marcas em busca de inovação com identidade regional. Em 2026, esse tema terá ainda mais destaque na feira, refletindo o aumento da demanda do mercado por soluções naturais, rastreáveis e conectadas às novas expectativas do consumidor”, finaliza Ana Beatriz.









