A experiência de uma década na farmácia clínica levou a farmacêutica gaúcha Ana Helena Ulbrich a buscar uma solução para um dos maiores desafios da assistência hospitalar: reduzir falhas em prescrições de medicamentos. Ao observar que a análise manual nem sempre permitia revisar, com a profundidade necessária, o histórico e as condições clínicas de todos os pacientes, ela decidiu recorrer à inteligência artificial.
Em parceria com o irmão, Henrique Dias, pesquisador da área de inteligência artificial, Ana iniciou, em 2017, o desenvolvimento de uma tecnologia capaz de identificar potenciais riscos em prescrições, como doses inadequadas, interações medicamentosas e outras inconsistências que podem comprometer a segurança do paciente. O projeto evoluiu e, em 2019, deu origem à NoHarm.
Atualmente, a plataforma é utilizada em mais de 200 hospitais e serviços de saúde no Brasil e também na Argentina, analisando milhões de prescrições todos os meses. A ferramenta atua como suporte à decisão clínica, apontando situações que merecem atenção, enquanto a avaliação final permanece sob responsabilidade dos profissionais de saúde.
O impacto da iniciativa ultrapassou as fronteiras do país. Em 2025, Ana Helena foi reconhecida pela revista Time entre as principais lideranças mundiais em inteligência artificial. A tecnologia também recebeu apoio de organizações como Google, AWS, Oracle, Fundação Gates, Umane, BNDES e agências brasileiras de fomento à pesquisa.
Durante a pandemia de Covid-19, a farmacêutica conciliou a rotina hospitalar com o desenvolvimento da plataforma, dedicando as madrugadas ao projeto. Mesmo diante dos desafios, manteve o propósito de ampliar a segurança no uso de medicamentos e tornar a tecnologia acessível a um número cada vez maior de instituições.
A Santa Casa de Porto Alegre foi o primeiro grande hospital a implementar a solução, contribuindo para validar a ferramenta em um ambiente de alta complexidade. Com os resultados alcançados, a demanda cresceu rapidamente e a NoHarm expandiu sua atuação, alcançando inclusive unidades de saúde em regiões remotas da Amazônia.
Hoje, além da expansão nacional, a plataforma desperta interesse de instituições de países como Estados Unidos, Austrália e Portugal. Ainda assim, a prioridade da equipe segue sendo ampliar o acesso à tecnologia no Brasil e fortalecer a segurança da assistência farmacêutica em todo o sistema de saúde.










