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Home Saúde

Farmacêutica brasileira usa inteligência artificial para acelerar a descoberta de novos medicamentos

Professora da Universidade Federal de Goiás desenvolve pesquisas que utilizam tecnologia para identificar moléculas promissoras e tornar mais rápido o desenvolvimento de novos tratamentos

André Silva Por André Silva
1 de julho, 2026
em Saúde
0
Farmacêutica brasileira usa inteligência artificial para acelerar a descoberta de novos medicamentos

Foto: Divulgação

A farmacêutica Carolina Horta Andrade transformou a curiosidade que demonstrava desde a infância em uma carreira dedicada à ciência. Professora da Universidade Federal de Goiás (UFG), ela está entre as pesquisadoras brasileiras que utilizam inteligência artificial para acelerar a descoberta de novos medicamentos e coordenar estudos voltados ao desenvolvimento de tratamentos para doenças que afetam milhões de pessoas.

Natural de Formosa, em Goiás, Carolina sempre gostou de ciência. Ainda criança, apresentou em uma feira escolar um experimento que simulava a circulação do sangue utilizando o coração de um boi e uma bomba improvisada. A experiência foi um dos primeiros sinais da vocação que a levaria à pesquisa.

Inicialmente, ela pretendia cursar Medicina, mas mudou de ideia após conhecer a profissão farmacêutica. Ao descobrir que o curso de Farmácia reunia conhecimentos de química, biologia e saúde, decidiu seguir esse caminho e ingressou na Universidade Federal de Goiás.

Durante a graduação, encontrou na Química Farmacêutica e Medicinal a área em que desejava atuar. Depois de concluir o curso, enfrentou uma reprovação na primeira seleção para o mestrado na Universidade de São Paulo (USP). Em vez de desistir, mudou-se para São Paulo, trabalhou em uma farmácia para custear os estudos e foi aprovada na segunda tentativa. O desempenho acadêmico permitiu que ingressasse diretamente no doutorado.

Parte da formação foi realizada na Universidade do Novo México, nos Estados Unidos, onde se especializou em modelagem molecular, área que utiliza computadores para estudar a interação entre moléculas e o organismo humano e apoiar a descoberta de novos medicamentos.

Em 2010, a farmacêutica retornou a Goiás como professora da UFG e criou o Laboratório de Planejamento de Fármacos e Modelagem Molecular (LabMol). No laboratório, pesquisadores utilizam inteligência artificial para analisar milhões de compostos químicos e identificar aqueles com maior potencial para se tornarem medicamentos.

A tecnologia permite prever como uma molécula pode agir contra vírus, bactérias e parasitas, além de estimar possíveis efeitos tóxicos e seu comportamento no organismo. Com isso, apenas as substâncias mais promissoras seguem para os testes em laboratório, reduzindo custos, tempo de pesquisa e a quantidade de experimentos necessários.

As pesquisas da farmacêutica começaram com foco em doenças tropicais negligenciadas, como tuberculose, leishmaniose, malária e doença de Chagas. Mais recentemente, o grupo também passou a estudar doenças causadas por vírus, como dengue, Zika e Covid-19.

O trabalho de Carolina recebeu reconhecimento nacional e internacional. Em 2014, ela conquistou o prêmio Para Mulheres na Ciência, promovido pela L’Oréal em parceria com a UNESCO e a Academia Brasileira de Ciências. No ano seguinte, recebeu em Paris o prêmio International Rising Talents, que reconhece jovens cientistas de destaque em diferentes países.

Além das pesquisas relacionadas ao desenvolvimento de medicamentos, a farmacêutica lidera atualmente um projeto inovador que busca incorporar o olfato aos ambientes de realidade virtual. A iniciativa combina inteligência artificial, engenharia, química e Farmácia para permitir que usuários sintam aromas durante experiências imersivas.

Carolina também incentiva meninas e jovens mulheres a seguirem carreira científica. Para ela, a presença feminina na pesquisa é fundamental para ampliar a produção de conhecimento e desenvolver soluções inovadoras para os desafios da saúde.

Ao unir a formação farmacêutica com ferramentas de inteligência artificial, Carolina Horta Andrade mostra como a ciência brasileira pode contribuir para acelerar o desenvolvimento de novos medicamentos e ampliar as possibilidades de tratamento para diversas doenças.

Posso também dar ainda mais destaque à atuação do farmacêutico, mostrando como a formação em Farmácia foi determinante para que Carolina se tornasse referência em inteligência artificial aplicada à descoberta de medicamentos.

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Fonte: CFF
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