A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou novos produtos à base de semaglutida das fabricantes EMS e Germed, ampliando o leque de opções de canetas emagrecedoras disponíveis no mercado farmacêutico brasileiro. As aprovações foram publicadas no Diário Oficial da União em 17 de agosto de 2026 e reforçam o ciclo de abertura do mercado de medicamentos agonistas de GLP-1 no país, iniciado após o vencimento da patente da Novo Nordisk em março deste ano.
Segundo o relatório do BTG Pactual, a EMS recebeu autorização para quatro moléculas de semaglutida injetável classificadas como medicamentos genéricos, enquanto a Germed obteve aprovação para quatro produtos da linha Semaclique, registrados como similares. Os novos registros se somam à aprovação do Ozivy, da EMS, em maio de 2026, e de outros cinco produtos à base de semaglutida autorizados em julho do mesmo ano.
Semaglutida: um mercado em expansão acelerada
O mercado brasileiro de GLP-1 atingiu aproximadamente R$ 10 bilhões em 2025 e, segundo estimativas do BTG Pactual, pode superar R$ 17 bilhões em 2026, impulsionado pela chegada de alternativas com preços mais acessíveis e pela migração de parte da demanda não regulamentada para os canais formais de farmácias.
No segundo trimestre de 2026, as canetas emagrecedoras já representavam cerca de 11% das receitas das principais redes farmacêuticas listadas em bolsa, ante 7% no mesmo período de 2025. As receitas da categoria somaram R$ 2 bilhões no trimestre, uma alta de 67% em relação ao segundo trimestre de 2025, quando o total foi de R$ 1,2 bilhão.
Entre os players analisados pelo banco, a Raia Drogasil liderou com vendas estimadas de GLP-1 em R$ 1,5 bilhão no período, crescimento de 70% em relação ao ano anterior, representando cerca de 12% de suas receitas totais. A Pague Menos registrou R$ 356 milhões (+54%; cerca de 8% das receitas) e a Panvel, R$ 185 milhões (+70%; aproximadamente 11% das receitas).
Preço cai, volume cresce
Com a chegada de novos produtos e a maior concorrência entre fabricantes, a dinâmica de preços e volumes das canetas emagrecedoras já apresenta mudanças concretas. A Pague Menos reportou, em julho de 2026, queda de 50% no preço da semaglutida em relação à linha de base do primeiro trimestre do mesmo ano, com aumento de 155% nas vendas unitárias diárias. No caso da tirzepatida, a redução de preço foi de 23%, acompanhada por crescimento de 60% no volume.
A perspectiva para as margens também indica trajetória de melhora. Conforme o relatório do BTG Pactual, as margens brutas das canetas emagrecedoras ainda estavam abaixo das categorias tradicionais de farmácias no início do ciclo, em torno de 18%, mas devem convergir para aproximadamente 25% até o final de 2026 e superar 30% no médio prazo, à medida que a competição entre fornecedores aumenta e as condições de compra melhoram.
O impacto para o varejo farmacêutico
Para o setor, o movimento representa uma transição relevante. As canetas emagrecedoras, que inicialmente atuavam como produtos de alto valor e grande apelo para atrair tráfego para as lojas, tendem a se tornar uma categoria com contribuição crescente para a lucratividade das redes. O relatório aponta que os GLP-1 responderam por 5 pontos percentuais dos 16% de crescimento de receita dos players listados no segundo trimestre de 2026, ou seja, 31% de todo o incremento de receita no período.
A velocidade das aprovações regulatórias, superior ao ritmo inicialmente projetado, indica que o processo de abertura do mercado de semaglutida no Brasil segue em curso. Novos entrantes, preços mais competitivos e aumento do acesso ao tratamento devem continuar a moldar a dinâmica do varejo farmacêutico nos próximos trimestres.










