O mercado brasileiro de medicamentos para diabetes está em trajetória de crescimento robusto. Deve sair de US$ 1,79 bilhão estimado em 2026 para alcançar US$ 2,48 bilhões até 2031, alta de 38% no período. Essa expansão é sustentada por uma crescente população diabética no país, a expiração de patentes que abre espaço para genéricos e investimentos contínuos na produção local.
A pesquisa da Mordor Intelligence, que analisou o período de 2020 a 2031, destaca que a adoção de agonistas de GLP-1, formulações semanais de insulina e serviços de telefarmácia sinaliza uma mudança do mercado em direção a terapias focadas na conveniência e no cuidado habilitado pela tecnologia.
A intensificação da concorrência entre fabricantes multinacionais e nacionais, somada a reformas governamentais como impostos sobre bebidas açucaradas e incentivos a alimentos saudáveis, cria um ambiente fértil para produtos premium e de baixo custo.
Em 2025, o mercado de medicamentos para diabetes no Brasil foi avaliado em US$ 1,68 bilhão.
Insulinas lideram, injetáveis não-insulínicos aceleram
Por classe de medicamentos, as insulinas mantiveram a liderança, representando 53,05% da participação de mercado em 2025. Essa predominância reflete a dependência estabelecida entre pacientes com diabetes tipo 1 e casos avançados de tipo 2. A Mordor Intelligence prevê uma expansão constante para as insulinas, à medida que formulações semanais chegam às farmácias e a adoção de biossimilares ganha velocidade.
Os injetáveis não-insulínicos, liderados pelos agonistas de GLP-1, apresentam a projeção de crescimento mais rápida, com uma CAGR de 10,34% até 2031. Essa ascensão é atribuída à forte eficácia e aos benefícios no controle de peso desses medicamentos. A expiração da patente da semaglutida em março de 2026 foi um fator crucial, incentivando empresas como Hypera, Biomm e EMS a prepararem versões genéricas, o que intensificou a concorrência e o acesso.
Diabetes tipo 2 domina o cenário
O diabetes tipo 2 respondeu por 91,05% do mercado de medicamentos para diabetes no Brasil em 2025, com previsão de crescimento de 7,98% CAGR até 2031. Embora impostos sobre bebidas açucaradas, introduzidos em 2025, visem reduzir a incidência, o aumento da obesidade e o envelhecimento populacional devem manter os volumes elevados.
Ainda que a prevalência varie regionalmente, com o Sudeste e o Sul abrigando as maiores concentrações de pacientes, o Nordeste apresenta as taxas de prevalência mais altas, refletindo fatores socioeconômicos e de estilo de vida.
E-commerce e telefarmácia ganham espaço

No canal de distribuição, as farmácias hospitalares detinham 60,94% da receita em 2025, mantendo sua centralidade na distribuição de terapias complexas e na iniciação de tratamentos em pacientes internados. Contudo, as plataformas de telefarmácia e e-commerce estão projetadas para crescer a uma CAGR de 10,78% ao ano, impulsionadas pela preferência do consumidor por conveniência e entrega em domicílio.
A ANVISA, por exemplo, implementou novas regras de prescrição em duas vias para agonistas de GLP-1, o que direciona pacientes para programas de telefarmácia estruturados, que gerenciam as renovações. Estudos-piloto de telessaúde demonstraram uma resolução de 85% das questões clínicas, validando a consulta virtual como um ponto de acesso confiável ao mercado.
Inovação e produção local em destaque
O cenário regulatório e de produção também evolui. A ANVISA, em 2026, avançou nos requisitos técnicos para importação, controle de qualidade e manuseio de Ingredientes Farmacêuticos Ativos (IFAs) de GLP-1/GIP, além de registrar novos produtos para diabetes, incluindo a primeira caneta de semaglutida sintética.
Paralelamente, o Ministério da Saúde iniciou em 2026 a transição de pacientes do SUS de insulina humana (NPH) para insulina glargina de ação prolongada, com um piloto em março de 2026 em estados como Amapá, Distrito Federal, Paraíba e Paraná.
A Novo Nordisk, com um investimento de R$ 6,4 bilhões para expandir sua unidade em Montes Claros (MG), reforça o papel estratégico do Brasil na produção global de insulina e no fornecimento de medicamentos GLP-1. A Lilly, por sua vez, busca ampliar sua participação com a tirzepatida e o posicionamento para perda de peso, enquanto a Sanofi capitaliza sua herança em insulina basal. Fabricantes de genéricos, como Hypera, EMS e Biomm, aproveitam as expirações de patentes para consolidar sua presença.
Diabetes por tipo

O Tipo 2 representou 91,05% do mercado brasileiro de medicamentos para diabetes em 2025 e está previsto que cresça com um CAGR de 7,98% até 2031. Impostos especiais sobre bebidas adoçadas introduzidos em 2025 devem reduzir a incidência, mas o aumento da obesidade e do envelhecimento deve manter os volumes altos.
Espera-se que o tamanho do mercado brasileiro de medicamentos para diabetes tipo 2 aumente à medida que a triagem revela casos ainda não diagnosticados. O tipo 1 permanece clinicamente significativo.
Prevalência regional desigual molda a captação: o Sudeste e o Sul mais ricos abrigam os maiores grupos absolutos de pacientes, enquanto o Nordeste apresenta as maiores taxas de prevalência, refletindo fatores socioeconômicos e de estilo de vida. As tendências de mortalidade no Sul apontam ainda para lacunas urgentes de controle entre as populações idosas.










