A influenciadora digital Virginia Fonseca chamou a atenção nas redes sociais ao revelar que gastou cerca de US$ 300 (aproximadamente R$ 1,5 mil) em medicamentos para tratar uma gripe durante uma viagem aos Estados Unidos. Em um dos vídeos publicados, ela afirmou que utilizou a inteligência artificial para receber dicas sobre quais medicamentos comprar.
O episódio reacendeu um debate importante sobre os limites da inteligência artificial quando o assunto é saúde. Embora ferramentas de IA possam fornecer informações gerais, elas não substituem a avaliação individualizada realizada por um profissional habilitado, especialmente quando envolve a escolha e o uso de medicamentos.
No Brasil, a presença do farmacêutico durante todo o horário de funcionamento das farmácias e drogarias é obrigatória, conforme determina a legislação sanitária. Esse profissional é responsável por orientar a população quanto ao uso correto dos medicamentos, esclarecer dúvidas sobre doses, horários, interações medicamentosas, contraindicações, efeitos adversos e cuidados necessários durante o tratamento.
A automedicação baseada apenas em pesquisas na internet ou em respostas fornecidas por sistemas de inteligência artificial pode levar a escolhas inadequadas. Isso ocorre porque essas ferramentas não têm acesso ao histórico clínico completo do paciente, às doenças pré-existentes, às alergias, aos medicamentos em uso nem conseguem realizar uma avaliação clínica individualizada.
Outro ponto de atenção é que sintomas semelhantes podem estar relacionados a doenças diferentes. O que parece ser apenas uma gripe pode, em alguns casos, representar outras infecções ou problemas de saúde que exigem tratamento específico ou avaliação médica.
O farmacêutico também desempenha papel fundamental na identificação de situações que exigem encaminhamento ao médico. Durante o atendimento, o profissional pode reconhecer sinais de gravidade, orientar medidas para aliviar sintomas quando apropriado e recomendar a procura imediata por atendimento médico quando necessário.
Além disso, o farmacêutico contribui para o uso racional de medicamentos, evitando desperdícios, duplicidade de tratamentos e riscos decorrentes do uso incorreto de produtos. Sua atuação é baseada em conhecimento científico, atualização constante e responsabilidade técnica.
A inteligência artificial pode ser uma ferramenta complementar para acesso à informação, mas não deve ser utilizada como única fonte para decisões relacionadas à saúde. Diante de qualquer dúvida sobre medicamentos, a recomendação é procurar o farmacêutico, profissional capacitado para oferecer orientações seguras e individualizadas, contribuindo para um tratamento mais eficaz e para a prevenção de riscos à saúde.









