Um pequeno dispositivo subcutâneo capaz de liberar semaglutida de forma contínua por vários meses está em desenvolvimento pela empresa americana Vivani Medical, em parceria com a Novo Nordisk.
A tecnologia, comparada por especialistas a implantes contraceptivos já consolidados no mercado, é apresentada como uma possível solução para um dos maiores desafios do tratamento da obesidade: a baixa adesão dos pacientes aos medicamentos à base de GLP-1.
Com base em reportagem da Exame, publicada em 11 de julho de 2026, o dispositivo ainda está em fase inicial de testes clínicos, mas desperta atenção crescente do setor de saúde e de investidores.
O problema que o implante pretende resolver
Apesar da eficácia amplamente documentada de medicamentos como Ozempic e Wegovy, estudos indicam que mais da metade dos pacientes interrompe o tratamento com semaglutida em até um ano de uso.
Os motivos são diversos: efeitos colaterais como náuseas e vômitos, o custo elevado das doses semanais e o que pesquisadores chamam de “fadiga das injeções”. Esse cenário limita o potencial terapêutico dos agonistas de GLP-1 e abre espaço para soluções alternativas de administração da substância.
É nesse contexto que a Vivani Medical desenvolveu o NPM-139, seu principal candidato ao segmento. Segundo informações da reportagem da Exame, o dispositivo consiste em um reservatório de titânio com membrana especializada que libera semaglutida lentamente no organismo, mantendo níveis estáveis da medicação.
A aplicação seria feita sob anestesia local, com previsão de substituição duas vezes ao ano, ou eventualmente apenas uma vez.
Parceria com a Novo Nordisk
Na semana anterior à publicação da reportagem, a Novo Nordisk anunciou um novo acordo com a Vivani para avaliar o NPM-139. A proposta, conforme declarou o presidente-executivo da Vivani Medical, Adam Mendelsohn, à rede CNBC, é que o implante funcione como terapia de manutenção: o paciente iniciaria o tratamento com injeções ou comprimidos de GLP-1 até atingir uma dose eficaz e, a partir daí, migraria para o dispositivo implantável.
De acordo com Mendelsohn, o implante pode ser removido ou substituído por outro de dosagem diferente, e mais de uma unidade pode ser aplicada quando indicado clinicamente. A empresa acredita que, ao longo do tempo, a tecnologia pode se mostrar mais econômica do que as dezenas de injeções semanais que o tratamento convencional exige atualmente.
Testes clínicos em andamento
A Vivani recebeu aprovação de um comitê de ética em pesquisa na Austrália para iniciar o estudo de fase 1 denominado SLIM-1.
O ensaio prevê a participação de 20 adultos com sobrepeso ou obesidade, que receberão o NPM-139 ou uma injeção semanal de Wegovy em baixa dose.
Os resultados serão monitorados quanto à perda de peso e à absorção da medicação pelo organismo.
Especialistas ouvidos pela CNBC e citados na reportagem da Exame consideram a abordagem promissora, mas ressaltam que ainda é cedo para dimensionar seu impacto real.
A adoção futura dependerá não apenas da eficácia comprovada em ensaios clínicos, mas também da receptividade dos pacientes, da disposição dos médicos em adotar um novo procedimento e das condições de cobertura por planos de saúde, tema ainda em aberto.










