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Home Doenças

Mais de 63 mil mortes por câncer estão associadas ao tabagismo

Os dados utilizados pela SBCO têm como base os registros de mortalidade da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente e as estimativas de incidência do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para 2026

André Silva Por André Silva
1 de junho, 2026
em Doenças
0
Mais de 63 mil mortes por câncer estão associadas ao tabagismo

Foto: Shutterstock

Celebrado neste domingo (31/05), o Dia Mundial sem Tabaco reforça o alerta: 63.268 mortes por câncer registradas no Brasil podem estar associadas ao tabagismo, segundo levantamento realizado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO).

O número corresponde a quase uma em cada quatro mortes por câncer registradas no país, considerando os 264.845 óbitos contabilizados nacionalmente, e reforça o impacto persistente do cigarro sobre a mortalidade pela doença.

Os dados utilizados pela SBCO têm como base os registros de mortalidade da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente e as estimativas de incidência do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para 2026.

Já os percentuais de associação entre tabagismo e cada tipo tumoral foram extraídos de informações epidemiológicas do próprio INCA e do Observatório da Saúde, a partir de estudos de fração atribuível ao tabaco, indicador que estima quantos casos ou mortes podem ser relacionados ao consumo de cigarros.

Tumores associados ao consumo de tabaco

Segundo o levantamento, os 12 tipos de câncer avaliados somaram 132.802 mortes em 2025. Esses tumores foram selecionados por apresentarem forte associação epidemiológica com o consumo de tabaco.

Entre eles estão os cânceres de pulmão, cavidade oral, laringe, esôfago, bexiga, pâncreas, fígado, colo do útero, rim, estômago, colorretal e leucemia mieloide aguda.

A partir da aplicação dos percentuais atribuíveis ao tabagismo para cada doença, a SBCO estimou que 63.268 desses óbitos tenham relação com o consumo de cigarros e outros derivados do tabaco.

Considerando o total de 264.845 mortes por câncer registradas no país, esse contingente representa quase uma em cada quatro mortes pela doença no Brasil.

O impacto é particularmente expressivo nos tumores do trato respiratório e digestivo superior.

No câncer de pulmão, por exemplo, cerca de 90% dos casos são associados ao tabagismo. Isso significa que, das 31.637 mortes registradas em 2025, aproximadamente 28.473 podem ter relação direta com o consumo de cigarros.

Os cânceres de esôfago e laringe também apresentam elevadas proporções atribuíveis ao tabaco, de 90% e 96%, respectivamente.

Mesmo em tumores com menor percentual de associação, o impacto permanece relevante em razão do elevado número absoluto de casos. É o caso dos cânceres colorretal (intestino grosso e reto), de estômago, fígado, pâncreas e colo do útero, nos quais o tabagismo atua como importante fator de risco adicional, frequentemente associado ao consumo de álcool, sedentarismo e alimentação rica em ultraprocessados.

O cirurgião oncológico e presidente da SBCO, Paulo Henrique de Sousa Fernandes, destaca que o tabagismo permanece como um dos principais fatores evitáveis associados ao câncer e ressalta que seus efeitos se potencializam quando combinados a outros comportamentos de risco.

“Mesmo quando não é a causa principal, o cigarro contribui de forma significativa para o desenvolvimento e agravamento da doença, especialmente quando associado ao consumo de álcool, sedentarismo e alimentação inadequada”, afirma.

Queda do tabagismo não elimina impacto acumulado

Estudo publicado em 2025 na Revista Brasileira de Cancerologia, periódico científico editado pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), intitulado “Evolução do Tabagismo e Incidência de Câncer de Pulmão no Brasil (2000–2020)”, mostra que o tabagismo permanece como o principal fator de risco para o câncer de pulmão no país.

O trabalho aponta que a prevalência de fumantes caiu de 34,8% em 1989 para cerca de 12,6% em 2019, chegando a aproximadamente 9,3% em 2023. Apesar da redução expressiva, os pesquisadores destacam que os efeitos do tabaco permanecem sendo observados por décadas, em razão do longo intervalo entre a exposição e o desenvolvimento de diversos tipos de câncer.

“O avanço é importante, mas vemos uma movimentação intensa da indústria do tabaco na tentativa de apresentar novos produtos como alternativas supostamente menos nocivas, especialmente os cigarros eletrônicos e dispositivos saborizados. Isso não é verdade. É fundamental reforçar, sobretudo entre os jovens, que nenhuma dessas opções é isenta de riscos. Além disso, as evidências apontam, conforme destacadas pela OMS, que não há consumo seguro de cigarro e de nenhum de seus derivados”, alerta Fernandes.

“O Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de maio, é uma oportunidade importante para conscientizar a população sobre os riscos do consumo de cigarros e reforçar a necessidade de prevenção. Apesar da redução observada nas taxas de tabagismo nas últimas décadas, o cigarro continua associado a uma parcela expressiva das mortes por câncer no país”, acrescenta o especialista.

Cigarro eletrônico preocupa especialistas

Os cigarros eletrônicos surgiram no mercado com o discurso de serem menos nocivos do que os cigarros convencionais.

No entanto, estudos já demonstram que alguns dispositivos podem conter concentrações de nicotina significativamente superiores às do cigarro tradicional, favorecendo rápida dependência química. Em abril de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu manter a proibição da comercialização dos cigarros eletrônicos no Brasil, medida em vigor desde 2009.

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O presidente da SBCO reforça que, além do risco direto à saúde, esses dispositivos podem funcionar como porta de entrada para o tabagismo convencional, especialmente entre adolescentes e adultos jovens.

“Esses dispositivos liberam substâncias tóxicas que podem causar danos ao sistema respiratório e cardiovascular. Há uma falsa percepção de segurança em relação aos cigarros eletrônicos. Eles não são inofensivos e podem expor o usuário a níveis elevados de nicotina. A única forma de reduzir de fato os riscos é não consumir nenhum produto derivado do tabaco”, afirma.

OMS aponta para os benefícios de parar de fumar

A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que nunca é tarde para parar de fumar:

  • em cerca de 20 minutos após interromper o consumo, a frequência cardíaca e a pressão arterial diminuem;
  • após 12 horas, os níveis de monóxido de carbono no sangue retornam ao normal;
  • entre 2 e 12 semanas, há melhora da circulação e da função pulmonar;
  • 10 anos após parar de fumar, o risco de morte por câncer de pulmão cai para aproximadamente metade do observado em fumantes ativos, enquanto também diminui o risco de tumores de boca, garganta, esôfago, bexiga, rim e pâncreas.
  • 15 anos após abandonar o cigarro, o risco de doença coronariana se aproxima daquele observado em pessoas que nunca fumaram.
Fonte: Guia da Farmácia
André Silva

André Silva

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