Durante a campanha de setembro amarelo, farmacêuticos reforçam seu papel na identificação de sinais de sofrimento psíquico, no acolhimento humanizado e no encaminhamento humanizado e no encaminhamento adequado dos pacientes.
O mês de setembro, marcado pela campanha Setembro Amarelo, convida à reflexão sobre a importância da saúde mental, do acolhimento e da busca por ajuda diante do sofrimento emocional. Mais do que ampliar o debate sobre o tema, a campanha incentiva a identificação precoce de sinais de sofrimento psíquico. Nesse contexto, as farmácias vêm ampliando sua atuação. Por estarem presentes no cotidiano da população e, muitas vezes, serem o primeiro ponto de contato com um profissional de saúde, os farmacêuticos podem contribuir para identificar mudanças de comportamento, acolher o paciente de forma ética e humanizada e, quando necessário, orientá-lo a buscar atendimento especializado.
A relevância desse cuidado também se reflete no interesse crescente da população pelo tema. A pesquisa Consumer Pulse 2026, da Bain & Company, aponta que 66% dos brasileiros consideram a saúde mental uma de suas principais prioridades.
O QUE O FARMACÊUTICO PODE OBSERVAR
A farmacêutica da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP), Maria Aparecida Nicoletti, explica que a anamnese e a escuta ativa são fundamentais para compreender as necessidades do paciente de forma integral. “A anamnese é necessária para considerar o paciente na integralidade de suas necessidades, e o diálogo, por meio da escuta ativa, é essencial para estabelecer vínculo e promover um atendimento humanizado”, afirma, mostrando possíveis formas de identificar sofrimento emocional.
• Linguagem verbal: é o conteúdo da fala do paciente, incluindo relatos sobre seu histórico, sintomas, preocupações e sentimentos.
• Linguagem não verbal: inclui expressões faciais, postura corporal e gestos que podem indicar desconforto ou sofrimento emocional.
• Paralinguagem: refere-se à forma como as palavras são ditas, considerando tom de voz, pausas e hesitações.
ACOLHIMENTO E ENCAMINHAMENTO FAZEM PARTE DO CUIDADO
Embora o farmacêutico não substitua o acompanhamento médico ou psicológico, sua atuação pode ser decisiva para orientar o paciente na busca pelo cuidado mais adequado. “A ausência de julgamento e a atenção plena ao que não é dito evitam a perda de informações clínicas valiosas. O acolhimento deverá ser feito de maneira que o paciente sinta confiança”, finaliza a especialista, reforçando a importância de o profissional estar atento para identificar sinais de alerta para o encaminhamento devido. Quanto mais cedo esse cuidado é iniciado, maiores são as possibilidades de oferecer suporte adequado.









