Após uma influenciadora fitness revelar durante um podcast que colocava whey protein na mamadeira da filha de apenas três anos, muitos pais passaram a questionar: afinal, crianças podem consumir esse tipo de suplemento?
O assunto ganhou ainda mais atenção após o alerta divulgado em 06/05 pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) sobre o uso indiscriminado de whey protein e creatina na infância e adolescência. Segundo especialistas, a suplementação vem sendo cada vez mais estimulada pelas redes sociais, pela cultura fitness e pela pressão estética precoce.
“A infância não deve ser associada à lógica da performance estética. Hoje vemos crianças sendo expostas muito cedo a conteúdos que fazem parecer normal consumir suplementos diariamente, quando na maioria das vezes isso não é necessário”, afirma a Prof.ª Dra. Elisabeth Fernandes, da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Segundo a pediatra, existe um mito muito disseminado de que crianças e adolescentes precisam consumir grandes quantidades de proteína para crescer mais fortes ou ganhar massa muscular.
“Uma alimentação equilibrada já consegue fornecer toda a proteína necessária para crianças saudáveis. Carnes, ovos, leite, feijão, cereais, frutas e verduras são suficientes para atender as necessidades nutricionais na maior parte dos casos”, explica.
Os riscos do whey protein e creatina na infância
A médica alerta que o excesso de proteína pode sobrecarregar órgãos importantes que ainda estão em desenvolvimento.
“O organismo infantil não é preparado para lidar constantemente com excesso proteico. Rins e fígado precisam trabalhar mais para metabolizar e eliminar essa carga extra, o que pode gerar sobrecarga renal, alterações hepáticas e desequilíbrios metabólicos”, destaca.
Outro ponto importante levantado pela especialista é que muitos suplementos vendidos atualmente são ultraprocessados e contêm aromatizantes, adoçantes artificiais, emulsificantes e conservantes. “Muitas pessoas olham apenas para a proteína e esquecem que esses produtos também carregam uma série de aditivos químicos. Isso está longe do conceito de alimentação saudável para uma criança”, afirma.
Além dos riscos físicos, a SBP também demonstra preocupação com os impactos emocionais e comportamentais desse consumo precoce.
“O problema não é apenas nutricional. Existe também uma questão emocional e social. Crianças podem desenvolver uma relação inadequada com a alimentação, preocupação excessiva com aparência e uma ideia distorcida sobre corpo e saúde desde muito cedo”, alerta a pediatra.
Segundo a Prof.ª Dra. Elisabeth Fernandes, substituir refeições por shakes ou transformar suplementos em parte da rotina infantil pode comprometer a construção de hábitos alimentares saudáveis.
“Comer envolve afeto, convivência, cultura e aprendizado alimentar. Quando a criança passa a enxergar suplemento como sinônimo de saúde, existe um risco importante de desconexão com a comida de verdade”, explica.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, whey protein e creatina só devem ser utilizados em situações específicas, como doenças crônicas, desnutrição ou síndromes de má absorção, sempre com indicação e acompanhamento profissional.
“A recomendação é muito clara: crianças e adolescentes saudáveis não precisam usar whey protein ou creatina na rotina. Antes de seguir tendências da internet, os pais devem conversar com o pediatra”, finaliza a Prof.ª Dra. Elisabeth Fernandes, da Sociedade Brasileira de Pediatria.










