O zolpidem é um medicamento hipnótico indicado para o tratamento de curta duração da insônia, distúrbio caracterizado pela dificuldade para adormecer ou permanecer dormindo. Seu princípio ativo atua no sistema nervoso central, favorecendo o início do sono. Apesar de ser utilizado para tratar problemas relacionados ao sono, o medicamento exige prescrição e acompanhamento médico devido aos riscos de efeitos adversos, abuso e dependência¹.
O zolpidem está entre os medicamentos utilizados no tratamento da insônia com presença expressiva no mercado brasileiro. Um levantamento sobre a comercialização de medicamentos entre 2014 e 2021 identificou que ele foi o terceiro hipnótico mais vendido no país, atrás do clonazepam e do alprazolam, considerando a categoria de medicamentos analisada. No período, as vendas de zolpidem passaram de aproximadamente 3,87 milhões para mais de 14 milhões de unidades².
Em 2024, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforçou o controle sobre o medicamento após identificar aumento do consumo, relatos de uso irregular e abusivo e ocorrências de eventos adversos. Desde 1º de agosto daquele ano, todos os medicamentos à base de zolpidem passaram a exigir Notificação de Receita B, de cor azul, independentemente da concentração³.
Para que serve o zolpidem?
De acordo com a bula do hemitartarato de zolpidem, o medicamento é indicado para o tratamento de curta duração da insônia, que pode ser ocasional, transitória ou crônica. Ele atua sobre os centros do sono no cérebro, ajudando a reduzir o tempo necessário para adormecer e a dificuldade de manter o sono¹.
O tratamento deve ser realizado pelo menor período necessário, conforme orientação médica. A Anvisa destaca que o uso de medicamentos hipnóticos, como o zolpidem, não deve ultrapassar quatro semanas sem reavaliação da condição do paciente, uma vez que o risco de abuso e dependência aumenta com a dose e a duração do tratamento³.
Quais são os efeitos colaterais do zolpidem?
Assim como outros medicamentos que atuam no sistema nervoso central, o zolpidem pode provocar efeitos adversos. Entre as reações descritas em bula estão sonolência, tontura, dor de cabeça, náusea, diarreia e fadiga. Também podem ocorrer alterações de memória, confusão, alucinações e mudanças de comportamento¹.
Um dos riscos importantes são os chamados comportamentos complexos durante o sono. A pessoa pode realizar atividades sem estar completamente desperta, como caminhar, preparar alimentos ou até dirigir, sem se lembrar do ocorrido posteriormente. Essas situações podem provocar acidentes e ferimentos graves. Caso esse tipo de comportamento aconteça, é necessário interromper o uso e procurar orientação médica imediatamente¹.
O medicamento também pode prejudicar a atenção, a coordenação motora e o estado de alerta no dia seguinte, especialmente quando o período de sono é insuficiente ou quando há associação com outras substâncias sedativas¹.
Zolpidem pode causar dependência?
Sim. A bula alerta que o uso de zolpidem pode levar à dependência física e psicológica, sobretudo quando o medicamento é utilizado por períodos prolongados, em doses superiores às prescritas ou por pessoas com histórico de abuso de álcool ou outras substâncias¹.
A dependência pode fazer com que a pessoa tenha dificuldade para interromper o tratamento. A suspensão após o uso prolongado também pode provocar sintomas de abstinência ou o chamado efeito rebote, quando a insônia retorna temporariamente com maior intensidade. Por isso, a interrupção do tratamento deve ser orientada pelo médico¹.
Quais são os riscos de tomar zolpidem sem orientação médica?
O uso sem prescrição e acompanhamento médico pode aumentar o risco de efeitos adversos, intoxicação, acidentes, abuso e dependência. A associação do zolpidem com bebidas alcoólicas, opioides e outros medicamentos que deprimem o sistema nervoso central pode intensificar a sedação e, em situações graves, comprometer a respiração¹.
O medicamento também possui contraindicações e exige cuidados específicos em determinadas condições clínicas. Pessoas com insuficiência respiratória grave ou aguda, insuficiência hepática grave ou histórico de comportamentos complexos durante o sono relacionados ao zolpidem não devem utilizá-lo, conforme as contraindicações descritas em bula¹.
A automedicação também pode atrasar a identificação das causas da insônia, que podem estar relacionadas a condições clínicas, transtornos de saúde mental, uso de substâncias ou hábitos inadequados de sono. A avaliação médica é importante para investigar o problema e definir a abordagem mais apropriada.
O zolpidem não deve ser compartilhado com outras pessoas nem utilizado por conta própria. Quem apresenta dificuldade frequente para dormir deve procurar atendimento médico para avaliar as causas do problema e discutir as opções de tratamento. Pessoas que já fazem uso regular do medicamento não devem alterar a dose ou interromper o tratamento abruptamente sem orientação profissional¹.
Referências
- ALTHAIA. Bula do paciente: hemitartarato de zolpidem. Bula atualizada conforme bula-padrão aprovada pela Anvisa em 2 de setembro de 2024. Disponível em: https://althaia.com.br/bula_paciente/bula-paciente-hemitartarato-de-zolpidem/. Acesso em: 29 out. 2026.
- AFYA. Diretriz para diagnóstico e tratamento de abuso e dependência de drogas Z. Portal Afya. Disponível em: https://portal.afya.com.br/psiquiatria/diretriz-para-diagnostico-e-tratamento-de-abuso-e-dependencia-de-drogas-z. Acesso em: 29 out. 2026.
- BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Medicamento zolpidem terá alteração no tipo de receita para prescrição e venda. Publicado em 15 maio 2024. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2024/medicamento-zolpidem-tera-alteracao-no-tipo-de-receita-para-prescricao-e-venda. Acesso em: 29 out. 2026.










