O Alta Diagnósticos, marca premium da Dasa, ampliará sua linha de cuidado para pacientes com doença de Alzheimer ao disponibilizar, em breve, o tratamento com Leqembi® (lecanemabe), indicado para casos em estágio inicial da doença.
Desenvolvida pela Eisai em parceria com a Biogen e aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a terapia passa a integrar o ecossistema de cuidado da marca, reforçando sua atuação no diagnóstico, acompanhamento e tratamento de doenças neurodegenerativas.
Segundo a empresa, a iniciativa faz parte da estratégia de ampliar sua atuação em neurologia e doenças neurodegenerativas.
“O Alta vem investindo na construção dessa jornada de cuidado, ampliando o acesso a soluções inovadoras e reforçando seu papel pioneiro no atendimento de pacientes com Alzheimer”, afirma Alexandre Valim, diretor de operações médicas da Dasa
Visão multidisciplinar
O tratamento poderá ser solicitado inicialmente por meio do Núcleo de Memória do Alta Diagnósticos, que oferece uma jornada para investigação e acompanhamento de pacientes com queixas cognitivas, reunindo recursos diagnósticos avançados, como biomarcadores em sangue e líquor, PET-CT cerebral e o teste genético APOE4, permitindo uma avaliação mais abrangente.
Com prescrição médica e após análise dos critérios clínicos de elegibilidade, a terapia poderá ser realizada nas unidades de São Paulo e Rio de Janeiro, exclusivamente na modalidade particular e com acompanhamento médico especializado.
Segundo Diogo Haddad, neurologista e coordenador do Núcleo de Memória do Alta Diagnósticos o cuidado não se limita à realização dos exames ou à administração da terapia.
“Estruturamos uma jornada integrada em que o paciente é acompanhado por uma equipe multidisciplinar especializada, que oferece suporte contínuo desde a investigação diagnóstica até o monitoramento da resposta ao tratamento. Ao longo de todo o processo, pacientes e familiares contam com orientação qualificada, esclarecimento de dúvidas e acompanhamento próximo, contribuindo para uma experiência mais segura e acolhedora. Nosso objetivo é oferecer um cuidado personalizado, centrado nas necessidades de cada paciente e apoiado pelas melhores evidências científicas”, afirma Haddad.
Como funciona o tratamento com lecanemabe
Historicamente, as abordagens terapêuticas disponíveis tinham como principal objetivo controlar sintomas relacionados à memória, comportamento e funcionalidade.
O avanço das terapias modificadoras da doença representa uma mudança de paradigma ao atuar diretamente nos mecanismos biológicos associados à progressão do Alzheimer.
É nesse contexto que surge o Leqembi®. O medicamento atua na remoção das placas de beta-amiloide no cérebro, uma das principais características biológicas da doença. Ao reduzir esse acúmulo, a terapia contribui para desacelerar a progressão clínica do Alzheimer em pacientes elegíveis.
O avanço representa uma das mudanças mais importantes no tratamento da doença nas últimas décadas. “Pela primeira vez, estamos entrando em uma era em que o tratamento do Alzheimer vai além do controle dos sintomas e passa a atuar diretamente sobre um dos mecanismos biológicos envolvidos na progressão da doença. Isso significa oferecer aos pacientes mais tempo de autonomia, independência e qualidade de vida, além de criar perspectivas para familiares e cuidadores afirma Haddad
A terapia é indicada para pacientes com comprometimento cognitivo leve ou demência leve decorrente da doença de Alzheimer, desde que apresentem confirmação da presença da proteína beta-amiloide por meio de exames específicos, como PET amiloide ou biomarcadores em líquido cefalorraquidiano, e atendam aos critérios clínicos estabelecidos para utilização do medicamento.
Os resultados que embasaram a aprovação do medicamento foram apresentados no estudo de fase 3 CLARITY AD, publicado no New England Journal of Medicine.
A pesquisa avaliou aproximadamente 1.800 pacientes com Alzheimer inicial e demonstrou uma redução de 27% na progressão clínica da doença ao longo de 18 meses quando comparado ao placebo, medida pela escala CDR-SB.
Na prática, isso significa uma desaceleração do declínio cognitivo e funcional associado ao Alzheimer, permitindo que os pacientes mantenham por mais tempo atividades do dia a dia, autonomia e qualidade de vida.
Além da redução na progressão da doença, os pacientes tratados apresentaram resultados consistentes em diferentes escalas utilizadas para avaliar funções cognitivas e capacidade funcional.
Entre elas estão a Alzheimer’s Disease Assessment Scale – Cognitive Subscale (ADAS-Cog), que mensuraaspectos como memória, atenção, linguagem e raciocínio, e a Alzheimer’s Disease Cooperative Study – Mild Cognitive Impairment Activities of Daily Living (ADCS MCI-ADL), utilizada para avaliar a capacidade do paciente de realizar atividades cotidianas de forma independente.
Embora os estudos não detalhem isoladamente os efeitos sobre memória ou linguagem, os resultados demonstram benefícios consistentes sobre diferentes aspectos da cognição e da autonomia dos pacientes.
Dados de acompanhamento de longo prazo, provenientes da extensão aberta do estudo, indicaram manutenção dos benefícios clínicos observados por até 48 meses, reforçando a consistência dos resultados ao longo do tratamento.
O Alzheimer é a principal causa de demência no mundo e afeta mais de 55 milhões de pessoas globalmente, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
No Brasil, estima-se que mais de 1,2 milhão de pessoas convivam com a condição, número que deve crescer nas próximas décadas em razão do envelhecimento populacional.
Apesar da elevada prevalência, especialistas alertam que uma parcela significativa dos casos ainda permanece sem diagnóstico, especialmente nos estágios iniciais, quando as possibilidades de intervenção são maiores.









