A entrada de novas canetas para emagrecimento no mercado brasileiro tende a ampliar a concorrência na categoria de medicamentos à base de semaglutida, mas não deve provocar uma queda imediata nos preços para o consumidor. A avaliação é de analistas do JPMorgan e do Citi, ouvidos pela Bloomberg Línea.
A análise ocorre após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovar, em 29 de julho, cinco novos medicamentos com semaglutida.
Segundo a reportagem da Bloomberg Línea, a principal limitação para uma redução mais rápida dos preços está no fato de que os novos produtos não podem ser automaticamente substituídos por outras opções nas farmácias.
Diferentemente do que ocorre com medicamentos genéricos que atendem aos critérios de intercambialidade, os novos produtos foram registrados individualmente como medicamentos novos. Dessa forma, a decisão sobre qual marca será utilizada permanece vinculada à prescrição e à escolha terapêutica.
Segundo o JPMorgan, esse cenário faz com que a competição inicial aconteça principalmente em torno de quatro fatores: prescrição, marca, preço e disponibilidade.
Com isso, o mercado ainda não funciona como uma categoria totalmente comoditizada, em que produtos equivalentes competem essencialmente pelo menor preço.
Farmácias podem ganhar poder de negociação
Embora a redução imediata dos preços não seja esperada, a ampliação do número de fornecedores pode trazer impactos positivos para o varejo farmacêutico.
Na avaliação do JPMorgan, a maior disputa por espaço nas prateleiras tende a favorecer as redes de farmácias por meio de melhores condições comerciais, como descontos, bonificações por volume, prazos de pagamento e verbas promocionais.
O Citi, porém, adota uma visão mais cautelosa sobre o impacto da concorrência sobre as margens. Para os analistas do banco, o crescimento do mercado potencial ainda é limitado e os ganhos de margem bruta observados com a entrada de novos concorrentes não foram suficientes, até o momento, para garantir uma melhora expressiva da rentabilidade por unidade vendida.
Novas marcas chegam ao mercado
Entre os produtos aprovados está o Semavy, da Cosmed, empresa do grupo Hypera, que tem previsão de chegar às farmácias em até dois meses.
Também foram aprovados Zempneo, da Brainfarma; Owozy, da Ávita Care; Seemasun, da Sun Farmacêutica do Brasil; e Orsema, da Ranbaxy.
O movimento ocorre após a chegada do Ozivy, da EMS, primeira semaglutida sintética registrada no Brasil. O produto começou a ser comercializado em junho e já serve como referência para avaliar a reação do mercado à entrada de novos concorrentes.
De acordo com dados da Close-Up citados pela EMS e reproduzidos pela Bloomberg Línea, a demanda pela molécula poderia crescer 28% em julho. A empresa, no entanto, não divulgou participação de mercado do produto.
Pressão sobre preços pode ocorrer mais adiante
Os bancos não descartam uma erosão dos preços ao longo do tempo, mas avaliam que o processo dependerá da evolução da concorrência e, principalmente, do ambiente regulatório.
Segundo a análise do JPMorgan, uma eventual mudança que permitisse a intercambialidade entre produtos sintéticos de semaglutida poderia acelerar a redução dos preços, aumentando a pressão competitiva entre fabricantes e favorecendo o varejo.
A expectativa é de que as novas marcas cheguem ao mercado em um intervalo de aproximadamente 30 a 60 dias, dependendo da empresa. A Hypera, por exemplo, prevê a chegada do Semavy às farmácias em até dois meses.
A Anvisa ainda possui outros processos em análise. Dos 24 medicamentos relacionados ao edital aberto em agosto de 2025, 11 haviam tido a análise concluída e seis já tinham sido aprovados até a publicação da reportagem.
Para os analistas, a velocidade dessas novas aprovações será um dos fatores que determinarão o ritmo de aumento da concorrência e de eventual pressão sobre os preços.










