O mercado global de ômega 3 movimentou US$ 2,62 bilhões em 2023 e está projetado para atingir US$ 4,45 bilhões até 2030, uma alta de quase 70% no período, segundo relatório da Grand View Research1. Isso se deve ao uso crescente de ingredientes na dieta para apoiar a saúde do cérebro e do coração1.
Apesar dessa popularidade, que se reflete em procura na farmácia, a escolha nem sempre considera critérios técnicos como composição, concentração, origem da matéria-prima e finalidade de uso. Sendo assim, fica o alerta na hora da dispensação, já que escolher guiadas por marca, preço ou giro, sem uma avaliação mais profunda sobre o perfil do produto e a necessidade do consumidor, pode trazer riscos para o usuário.
Ômega 3 não é uma categoria única
O ômega 3 é um grupo de ácidos graxos poli-insaturados essenciais, composto principalmente por EPA (eicosapentaenoico), DHA (docosahexaenoico) e ALA (alfa-linolênico). Esses nutrientes não são produzidos em quantidades suficientes pelo organismo, devendo ser obtidos pela alimentação, especialmente por meio do consumo de peixes de águas frias, sementes e oleaginosas2.
As formulações de suplementos alimentares de ômega-3 variam bastante, por isso é importante verificar os rótulos dos produtos para determinar os tipos e quantidades de ômega-3 presentes nesses produtos2. Eles podem variar em relação à concentração, pureza, forma e fórmula3, daí a importância do farmacêutico ficar atento às embalagens para garantir uma dispensação responsável. Acompanhe, a seguir, alguns pontos importantes.
- CONCENTRAÇÃO: é importante verificar a proporção de ácidos graxos EPA e DHA por porção. Quanto maior a porcentagem (acima de 55%), mais concentrado e puro será o óleo3 (veja mais a seguir).• PUREZA: também é importante que a pureza do óleo em relação a metais pesados e contaminantes seja comprovada por um órgão certificador3. Selos e certificações também ajudam o profissional de farmácia a identificar produtos com maior controle de qualidade. O selo MEG-3®, por exemplo, está relacionado a óleos de peixe de alto padrão, com atenção à pureza, procedência e qualidade5. Além da certificação, o controle industrial durante o processo produtivo contribui para a consistência do produto final.
- FORMA: a gordura disponível costuma ser em triglicerídeos (TG) ou etil éster (EE). Isso garante maior biodisponibilidade em razão do processo de metabolização e absorção3.
- FÓRMULAS APRIMORADAS: ainda há suplementos que incrementam suas fórmulas com ingredientes que potencializam os benefícios do Ômega 3 ou melhoram sua absorção, como versões gastrorresistentes e a presença de Vitamina E3.
- REGULAÇÃO SANITÁRIA: no Brasil, suplementos devem estar regularizados junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o que garante conformidade com padrões de segurança, identidade e rotulagem6.
EPA e DHA: o que muda na prática
Entre os componentes mais conhecidos do ômega 3, EPA e DHA se destacam por suas funções específicas. O EPA (ácido eicosapentaenoico) e o DHA (ácido docosahexaenoico) são os dois principais ácidos graxos ômega-3 de cadeia longa encontrados em peixes e frutos do mar. Embora ambos exerçam funções importantes no organismo, o EPA é mais frequentemente associado à regulação de processos inflamatórios e à saúde cardiovascular, atuando na produção de moléculas sinalizadoras que ajudam a modular respostas inflamatórias2.
O DHA, por sua vez, desempenha um papel estrutural especialmente importante nas membranas celulares, sendo encontrado em altas concentrações no cérebro, na retina dos olhos e nos espermatozoides. Esse ácido graxo é essencial para o desenvolvimento e a manutenção das funções neurológicas e visuais ao longo da vida2.
Esse ponto é especialmente importante porque diferentes formulações atendem a diferentes necessidades. Contudo, as embalagens comerciais de ômega-3 frequentemente destacam o valor total do óleo de peixe na parte frontal (geralmente 1000 mg), mas a quantidade real de ácidos graxos ativos (EPA e DHA) é muito menor. Daí a importância de analisar a tabela nutricional para calcular a dosagem terapêutica correta4 e a escolha mais adequada de acordo com o objetivo de uso.
Quando o profissional entende essas diferenças, a recomendação deixa de ser baseada apenas na popularidade e passa a ser mais técnica, consciente e alinhada à necessidade do consumidor. Esse cuidado fortalece a orientação no ponto de venda e contribui para uma escolha mais segura e adequada.
Referências
- Omega 3 Market (2024 – 2030) – Grand View Research. Disponível em: grandviewresearch.com/industry-analysis/omega-3-market. Acesso em: 18/06/2026.
- National Institutes of Health (NIH). Omega-3 Fatty Acids Fact Sheet for Health Professionals. Disponível em: https://ods.od.nih.gov/factsheets/Omega3FattyAcids-Consumer/. Acesso em: 08/06/2026.
- Farmacêutica Mariana Almeida. Disponível em: https://www.instagram.com/p/CQTq4KeHVza/?img_index=3&igsh=Z3ducjBwMDM3NXVu. Acesso em: 08/06/2026.
- Quality Assessment of Omega-3 Supplements Available in the Brazilian Market. Disponível em: scielo.br/j/jbchs/a/ZhFQJGCHdLPQGg4tjwPTB7F/?format=html&lang=en. Acesso em: 08/06/2026.
- MEG-3 – DSM Firmenich, Disponível em: dsm-firmenich.com/pt-br/businesses/taste-texture-health/markets-products/dairy/fresh-dairy-fermented/meg-3.html. Acesso em: 08/06/2026.
- Resolução da Diretoria Colegiada RDC Nº 243, de 26 de julho de 2018. Disponível em: bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2018/rdc0243_26_07_2018.pdf. Acesso em: 08/06/2026.










