O Brasil enfrenta uma crise silenciosa de saúde mental. Estimativas apontam que 12,7% da população brasileira convive com a depressão, enquanto 26,8% relataram sofrer de ansiedade¹, transtorno que coloca o País como o mais ansioso do mundo².
Esses números têm reflexo direto no varejo farmacêutico, colocando os ansiolíticos e antidepressivos entre as classes terapêuticas com maior expansão de volume no País nos últimos anos³. Para as farmácias, mais do que vendas, esse movimento representa uma responsabilidade clínica que não pode ser subestimada. Afinal, quando se fala em medicamentos, a eficácia e a segurança do tratamento dependem, em grande medida, do acompanhamento adequado do uso desses fármacos, e é nesse momento que o farmacêutico desempenha um papel fundamental⁴.
A atenção farmacêutica prevê o acompanhamento do paciente, a identificação de interações medicamentosas e a orientação sobre adesão ao tratamento, aspectos especialmente críticos em terapias para transtornos mentais, onde a descontinuidade é um dos maiores desafios clínicos⁵. A interrupção abrupta do uso de antidepressivos, por exemplo, pode provocar síndrome de descontinuação, com sintomas que vão de tontura e náusea a alterações de humor e insônia⁶. O farmacêutico, ao identificar padrões de retirada irregular ou de não adesão, torna-se um agente ativo na prevenção de recaídas.
O cuidado farmacêutico se torna ainda mais crucial quando há uso concomitante de múltiplos medicamentos, uma vez que as interações podem afetar a eficácia do tratamento e elevar os riscos, como efeitos colaterais e danos à saúde do paciente⁴.
Além disso, o farmacêutico contribui para diminuir o estigma em relação aos psicofármacos, orientando os
pacientes e reforçando a adesão ao tratamento e auxiliando no monitoramento da resposta terapêutica em colaboração com a equipe multiprofissional, por meio da escuta e do acolhimento⁴.
REFERÊNCIAS
1. O cenário da saúde mental no Brasil – Observatório da Saúde Pública. Disponível em: https://biblioteca.observatoriosaudepublica.com.br/blog/janeiro-branco-dados-
sobre-saude-mental-brasil/. Acesso em: 22/06/2026.
2. Depression and Other Common Mental Disorders. Disponível em: https://iris.who.int/server/api/core/bitstreams/6bab42bc-df0f-4f68-a86d-28ebedb85e42/content.
Acesso em: 22/06/2026.
3. Venda de antidepressivos e estabilizadores do humor aumentou 11% entre 2022 e 2023 – Conselho Federal de Farmácia (CFF). Disponível em: site.cff.org.br/noticia/
Noticias-gerais/08/07/2024/venda-de-antidepressivos-e-estabilizadores-do-humor-aumentou-11-entre-2022-e-2023. Acesso em: 22/06/2026.
4. Entenda o papel do farmacêutico na promoção da saúde mental – Unifor. Disponível em: https://unifor.br/web/melhor-profissao/entenda-o-papel-do-farmaceutico-
na-promocao-da-saude-mental. Acesso em: 22/06/2026.
5. Resolução CFF nº 585/2013 — Atribuições clínicas do farmacêutico e diretrizes para a prática da atenção farmacêutica. Conselho Federal de Farmácia (CFF).
Disponível em: https://www.cff.org.br/userfiles/file/resolucoes/585.pdf. Acesso em: 22/06/2026.
6. Antidepressant Withdrawal and Rebound Phenomena. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6637660/. Acesso em: 22/06/2026.









