O Ministério da Saúde anunciou a incorporação, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), de um exame capaz de identificar mutações genéticas associadas ao câncer de mama hereditário. A medida deverá ser implementada em até 180 dias.
O exame identifica mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, alterações frequentemente relacionadas a casos hereditários. Feito por sequenciamento de nova geração, pode ajudar a identificar a origem do tumor e orientar decisões clínicas mais individualizadas.
Segundo Daniel Musse, oncologista do Hospital Federal dos Servidores do Estado e membro das sociedades Brasileira, Americana e Europeia de Oncologia Clínica, o exame permite identificar quais são as pessoas com maior risco de ter câncer de mama ou ovário.
“É uma medida de prevenção e de acompanhamento mais intenso, que ajuda não só a evitar um câncer futuro, mas também a aumentar as chances de detectar tumores em estágios iniciais e potencialmente curáveis”, explica.
Ele diz que o exame é especialmente relevante para mulheres com câncer de mama diagnosticado antes dos 50 anos ou com histórico familiar importante da doença.
“O teste também pode ser indicado para mulheres que tiveram tumores bilaterais, por exemplo. São alguns dos perfis de pacientes que apresentam maior risco de possuir essas alterações genéticas”, afirma.
O resultado pode influenciar o tratamento com indicação de terapias específicas para pacientes com as mutações, além de auxiliar no acompanhamento de familiares com risco aumentado. “Esse teste ajuda a identificar famílias com predisposição genética.”
Cenário nacional
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de mama é o segundo mais comum entre as mulheres e representa cerca de 30% dos casos de câncer feminino no Brasil.
A estimativa é de 78.610 novos casos por ano entre 2026 e 2028, com risco estimado de 71,57 casos a cada 100 mil mulheres.
No mundo, dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que, em 2022, cerca de 2,3 milhões de mulheres foram diagnosticadas e 670 mil morreram.
Os fatores de risco estão relacionados a questões hormonais e reprodutivas, estilo de vida, fatores ambientais e predisposição genética. O principal fator é a idade.
A doença é mais frequente especialmente após os 50 anos, período associado ao acúmulo de exposições hormonais e alterações biológicas. Entre os fatores relacionados estão menarca precoce, menopausa tardia, uso de contraceptivos hormonais e terapia de reposição hormonal na pós-menopausa.
Entre os fatores modificáveis, estão o excesso de gordura corporal, sedentarismo e consumo de álcool. A exposição à radiação ionizante e o trabalho noturno também são considerados fatores de risco.
Outros tipos de câncer
O Ministério da Saúde anunciou uma nova tabela de financiamento com investimento de R$ 2,2 bilhões em 23 medicamentos destinados ao tratamento de 18 tipos de câncer pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, os medicamentos de alto custo contemplam tratamentos para câncer de pulmão, câncer colorretal, câncer renal e melanoma metastático, cujas terapias estavam defasadas, de acordo com a pasta. “É uma modernização do acesso.”










