A suspensão temporária da vacina contra dengue do Instituto Butantan, anunciada após o registro de reações adversas graves, causou dúvidas sobre outro imunizante atualmente em aplicação no País: a vacina Qdenga.
Produzida pela farmacêutica Takeda e ofertada no Sistema Único de Saúde (SUS) desde fevereiro de 2024, ela é utilizada na rede pública e na particular.
Segundo o diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Juarez Cunha, as vacinas são diferentes e a interrupção da aplicação da Butantan-DV não afeta a vacinação com a Qdenga.
“São produtos de laboratórios diferentes. A primeira usa como base um sorotipo da dengue, enquanto a segunda utiliza outro sorotipo”, afirma.
Os dois produtos também têm esquemas de aplicação e públicos-alvo diferentes: a Butantan-DV deve ser aplicada em dose única e foi aprovada para pessoas de 12 a 59 anos. Até a suspensão, ela estava sendo administrada em profissionais da saúde e em moradores de 15 a 59 anos de três municípios: Botucatu (SP), Nova Lima (MG) e Maranguape (CE).
Já a Qdenga é aplicada em duas doses, com intervalo de três meses entre as injeções. No SUS, é destinada a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos e, na rede particular, é administrada em pessoas de 4 a 60 anos de idade.
Quem recebeu a Qdenga pode tomar a 2ª dose?
Segundo Cunha, a situação envolvendo a vacina do Butantan não altera as recomendações para quem iniciou a vacinação com a Qdenga.
As reações mais comuns após a aplicação do imunizante, segundo a bula, são: dor no local da injeção, dor de cabeça, dor muscular, vermelhidão no local da injeção, mal-estar geral, fraqueza, infecções do nariz ou garganta, febre, diminuição do apetite, irritabilidade e sonolência.
Para quem está em dúvida sobre qual vacina recebeu, o especialista orienta consultar o histórico de vacinação no e-SUS, verificar o cartão de vacinação ou procurar a unidade de saúde onde recebeu a dose.
Apesar da preocupação gerada pela suspensão temporária do imunizante do Butantan, Cunha enfatiza que as vacinas são seguras.
“É importante reforçar que a farmacovigilância funciona para todos os medicamentos, incluindo as vacinas. Quando, em qualquer momento, se observa alguma alteração que justifique preocupação da Anvisa ou do Ministério da Saúde, essas medidas são colocadas em prática. O principal recado é que a vigilância é fundamental e representa uma proteção para todos nós.”









