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Home Saúde

Vai tomar um antibiótico? Tire todas as suas dúvidas

Saiba ainda as principais diferenças entre antibióticos e antivirais

André Silva Por André Silva
10 de setembro, 2025
em Saúde
0
Vai tomar um antibiótico? Tire todas as suas dúvidas

Foto: Shutterstock

O que são antibióticos e como eles atuam no organismo?

Antibióticos são substâncias capazes de eliminar ou impedir a multiplicação de bactérias, por isso são usados no tratamento de infecções bacterianas. Sua descoberta revolucionou a história da medicina, pois anteriormente muitas pessoas morriam em decorrência de diversos tipos de infecções1.

Há duas formas principais de os antibióticos ajudarem o sistema imunológico: matando as bactérias (efeito bactericida) ou impedindo que elas se multipliquem (efeito bacteriostático)2.

Nesta segunda ação, o medicamento ataca a parede celular e o metabolismo dos microrganismos. Como consequência, interrompe a infecção e alivia os sintomas do paciente2.

Por não atuarem contra vírus ou outros patógenos, não são indicados contra infecções virais, como gripes ou resfriados. Caso o paciente diagnosticado com essas condições também desenvolva uma infecção bacteriana, o que pode acontecer porque o organismo fica mais suscetível, o antibiótico pode ser utilizado2.

Principais diferenças entre antibióticos e antivirais3

Antibióticos Antivirais
Têm bactérias como alvo. Têm os vírus como alvo.
Matem as bactérias ou inibem o seu crescimento. Inibem a replicação dos vírus.
São usados para infecções bacterianas. São usados para infecções virais.

 Quando é necessário tomar um antibiótico?

A tomada de antibióticos está indicada quando se confirma um diagnóstico de uma infeção causada por bactérias (infeção bacteriana) e este é prescrito pelo médico4.

Alguns exemplos são infeções como a pneumonia pneumocócica ou infeções sanguíneas causadas por estafilococos. Um antibiótico pode também ser prescrito para prevenir infeções causadas por bactérias (por exemplo, antes de uma cirurgia)4.

Principais doenças tratadas com antibióticos5

Tuberculose: doença que afeta os pulmões causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis (bacilo de Koch);

Pneumonia: doença infecciosa que impacta o sistema respiratório do paciente e que pode ter origem bacteriana, embora outros microrganismos, como o vírus, também possam desencadeá-la;

Infecção urinária: infecção que afeta o trato urinário, geralmente causada pela bactéria Escherichia coli. Possui maior incidência em mulheres e pode apresentar infecções recorrentes;

Amigdalite: é uma inflamação que atinge as amígdalas. Pode ter origem viral, mas também pode ser ocasionada por infecções bacterianas e exigir o uso de antibióticos;

Sinusite: infecções dos seios nasais, quando bacterianas, podem ser tratadas com antibióticos;

Sífilis e gonorreia: são infecções sexualmente transmissíveis causadas pelas bactérias Treponema pallidum e Neisseria gonorrhoeae, respectivamente, as quais também podem ser tratadas eficientemente com antibióticos específicos. (Ex: infecção urinária, amigdalite bacteriana, pneumonia, etc.).

Necessidade de prescrição médica6

Os critérios para a dispensação de antimicrobianos estão previstos na RDC nº 471/2021, da Anvisa. A prescrição de medicamentos antimicrobianos deverá ser realizada em receituário privativo do prescritor ou do estabelecimento de saúde, não havendo, portanto, modelo de receita específico.

A receita deve ser prescrita de forma legível, sem rasuras, em duas vias e contendo os seguintes dados obrigatórios:

I – identificação do paciente: nome completo, idade e sexo;

II – nome do medicamento ou da substância prescrita sob a forma de Denominação Comum Brasileira (DCB), dose ou concentração, forma farmacêutica, posologia e quantidade (em algarismos arábicos);

III – identificação do emitente: nome do profissional com sua inscrição no Conselho Regional ou nome da instituição, endereço completo, telefone, assinatura e marcação gráfica (carimbo); e

IV – data da emissão.

Validade da receita6

A receita vale por 10 dias a partir da data de emissão e o farmacêutico não poderá aceitar receitas em datas posteriores ao prazo de validade estabelecido.

Não há limitação do número de itens contendo medicamentos antimicrobianos prescritos por receita, entretanto, a receita não poderá ter medicamentos de controle especial. A receita deve ser aviada uma única vez e não poderá ser utilizada para aquisições posteriores.

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Em situações de tratamento prolongado a receita poderá ser utilizada para aquisições posteriores dentro de um período de 90 dias a contar da data de sua emissão.

Neste caso, a receita deverá conter a indicação de uso contínuo, com a quantidade a ser utilizada para cada 30 dias. No caso de tratamentos relativos aos programas do Ministério da Saúde que exijam períodos diferentes do mencionado no caput deste artigo, a receita/prescrição e a dispensação deverão atender às diretrizes do programa.

Retenção de receita6

A farmácia deve reter a 2ª via da receita e devolver a 1ª via ao paciente. No ato da dispensação devem ser registrados nas duas vias da receita os seguintes dados:

I – a data da dispensação;

II – a quantidade aviada do antimicrobiano;

III – o número do lote do medicamento dispensado; e

IV – a rubrica do farmacêutico, atestando o atendimento, no verso da receita

O credenciamento e escrituração da movimentação de compra e venda dos antimicrobianos deve ser realizados no SNGPC, conforme estabelecido na RDC nº 22, de 29 de abril de 2014.

São aceitas devoluções?6

É vedada a devolução, por pessoa física, de medicamentos antimicrobianos industrializados ou manipulados para drogarias e farmácias.

Apenas seria aceita devolução por motivos de desvios de qualidade ou de quantidade que os tornem impróprios ou inadequados ao consumo, ou decorrentes de disparidade com as indicações constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária, a qual deverá ser avaliada e documentada pelo farmacêutico.

Quais os riscos da automedicação por antibióticos7

A Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (Sobrasp) chama a atenção para a automedicação com antibióticos e como isso pode fortalecer bactérias, favorecendo infecções cada vez mais resistentes a remédios. As infecções de bactérias muito resistentes são mais comuns e preocupantes.

Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), relativos a 2019, a cada ano 700 mil pessoas morrem por esse tipo de infecção. Até 2050, a estimativa é que esse tipo de problema possa resultar na morte de até 10 milhões de pessoas.

Pesquisa da Organização Mundial da Saúde (OMS), realizada em nove países europeus, apontou que pessoas com o hábito de utilizar antibióticos por conta própria acreditavam que estavam se prevenindo de infecções.

Segundo a Sobrasp, apesar de ser necessária uma receita para comprar antibióticos, muitas pessoas não utilizam a integralidade do remédio e acabam guardando para empregá-lo em outras situações, como no caso de uma gripe.

Contudo, conforme a entidade, 90% dos casos de rinosinusites são causados por vírus e não demandam o uso de antibiótico para o tratamento

Como tomar antibióticos corretamente?8

O uso incorreto dos antibióticos – seja por tomá-los sem prescrição médica ou de uma forma diferente da indicada – aumenta o risco de os microrganismos se adaptarem e se protegerem, criando infecções resistentes aos medicamentos disponíveis atualmente.

Os médicos, ao prescreverem o antibiótico, devem sempre repassar ao paciente as seguintes informações:

  • Por quantos dias o tratamento deve ser mantido;
  • A quantidade a ser ingerida, ou a dosagem;
  • O momento ideal para tomar o remédio (antes, durante ou após as refeições) ou a frequência (a cada 6 ou 8 horas, por exemplo).

Para determinar esses parâmetros, os especialistas levam em consideração possíveis alergias ou comorbidades, o uso de outros medicamentos e se a paciente está em gestação ou amamentando.

Todas as recomendações devem ser seguidas, inclusive os horários certos e o tempo de tratamento estabelecido, para evitar que o organismo fique desprotegido da medicação e as bactérias tenham oportunidade de favorecer a resistência.

Importância de seguir o tempo do tratamento8

Ainda que a pessoa perceba uma melhora nos sintomas sem ter finalizado o tratamento, a medicação deve ser mantida pelo tempo estabelecido, nem um dia a menos ou a mais.

Primeiro para que o paciente não tome de menos, porque pode não tratar a doença e prorrogar a infecção. Se tomar demais, pode aumentar o efeito colateral e favorecer a resistência bacteriana por tomar o medicamento de forma desnecessária.

O que fazer quando esquecer de tomar o antibiótico9

Os antibióticos são medicamentos essenciais no tratamento de infecções bacterianas, e esquecê-los pode comprometer a eficácia do tratamento.

A recomendação geral quando se esquece de tomar um antibiótico é tomá-lo assim que lembrar. No entanto, o tempo entre a dose esquecida e a próxima dose é fundamental para determinar se é necessário ajustar a posologia.

Se o atraso for pequeno, como menos de 2 horas, pode-se tomar o antibiótico imediatamente e seguir o restante do tratamento conforme indicado pelo médico. Se o atraso for maior, o ideal é ajustar a próxima dose, para não ultrapassar o intervalo recomendado, evitando sobrecarregar o organismo.

Se, por exemplo, o horário normal fosse às 7h e você se lembrar às 10h, a próxima dose seria ajustada para as 18h, em vez das 15h.

Além disso, é importante lembrar que, ao esquecer de tomar o antibiótico, o tratamento pode ser interrompido de forma inadequada, afetando a resposta do organismo e aumentando a resistência bacteriana.

Quanto tempo pode atrasar o antibiótico?9

A eficácia do antibiótico pode ser comprometida dependendo do tempo de atraso entre as doses.

Embora pequenos atrasos, de até duas horas, normalmente não afetem o tratamento, atrasos maiores podem diminuir os níveis da medicação no organismo, fazendo com que o antibiótico não funcione de maneira eficaz. Isso pode ser ainda mais crítico em tratamentos com antibióticos que requerem um nível constante no sangue para combater a infecção.

Em alguns casos, o paciente pode ser orientado a ajustar a dose conforme a recomendação médica, e, em outros, o tratamento pode precisar ser reavaliado.

O importante é sempre seguir a orientação médica e evitar tomar doses extras para compensar a dose esquecida, pois isso pode causar efeitos adversos no organismo, como resistência bacteriana e sobrecarga no fígado.

É crucial ter um acompanhamento médico adequado e ajustar o tratamento com base na avaliação da situação clínica do paciente.

Qual o melhor horário para tomar um antibiótico?30

Medicamentos de 12 em 12 horas (3 sugestões)

Dia Noite
7h 19h
8h 20h
9h 21h

 Medicamentos de 8 em 8 horas (duas sugestões)

Manhã Tarde Noite
6h 14h 22h
7h 15h 23h

 Medicamentos de 6 em 6 horas (sugestão)

Manhã Início da Tarde Fim da Tarde Noite
6h 12h 18h 24h

 Medicamentos de 4 em 4 horas (sugestão)

Amanhecer Manhã Início da Tarde Fim da Tarde Noite Madrugada
6h 10h 14h 18h 22h 2h

 Quais as consequências de interromper o tratamento de antibióticos antes do fim?

Se o paciente não fizer o tratamento da maneira correta ou interrompê-lo antes do fim, isso também pode resultar no desenvolvimento das chamadas superbactérias10.

Isso acontece porque o tratamento inadequado pode não eliminar todas as bactérias. As mais sensíveis são destruídas primeiro, enquanto as mais resistentes podem sobreviver. Essas bactérias sobreviventes podem se multiplicar e se tornar predominantes, adquirindo ou transmitindo genes de resistência10.

Pode tomar antibiótico com outros remédios?11

É de extrema importância informar ao médico os remédios que você já ingere antes que ele receite o antibiótico que você deverá tomar. Isso porque existem diversas classes de medicamentos que interagem entre si – no caso dos antibióticos podemos destacar os analgésicos e anticoncepcionais.

É uma interação que não é grave, mas existe, e muitas pessoas acabam tomando o antibiótico sem ter noção disso.

Segundo a especialista, na bula do medicamento constam quais são as possíveis interações e quais remédios evitar ingerir em conjunto – ou, no caso do anticoncepcional, utilizar outro método contraceptivo durante o período de tratamento da doença.

Caso você tenha se esquecido de perguntar ao médico, essa dúvida também pode ser tirada na farmácia, já que os farmacêuticos podem informar a respeito das interações.

Algumas lojas inclusive contam com programas que já fazem o cálculo do intervalo que deve ser dado entre uma medicação e outra para que elas não sejam metabolizadas juntas e sofram uma interação.

10 principais interações medicamentosas com antibióticos

Abaixo, confiram algumas interações medicamentosas reconhecidas em antibióticos. Para saber todas as informações, é imprescindível consultar a bula completa do medicamento.

  1. Ciprofloxacino

Deve-se ter cautela ao utilizar ciprofloxacino junto com medicamentos que podem resultar em prolongamento do intervalo QT (por exemplo, antiarrítmicos de classe III ou IA, antidepressivos tricíclicos, antibióticos macrolídeos, antipsicóticos) ou em pacientes com fatores de risco para prolongamento QT ou “Torsade de Pointes”(uma alteração específica do eletrocardiograma), por exemplo, síndrome congênita do QT longo, desequilíbrio eletrolítico (sais do organismo) não corrigido, como hipocalemia (baixo nível de potássio no sangue) ou hipomagnesemia (baixo nível de magnésio no sangue) e doenças cardíacas como insuficiência cardíaca, infarto do miocárdio ou bradicardia (ritmo dos batimentos cardíacos muito lento)12. Veja outras interações possíveis na bula.

  1. Rifampicina

A coadministração de rifampicina com outros fármacos que também são metabolizados através destas enzimas do citocromo P-450 pode acelerar o seu metabolismo e reduzir a atividade destes outros fármacos. Consequentemente, deve-se ter cautela ao prescrever rifampicina com fármacos que são metabolizados pelo citocromo P-450. A fim de manter os níveis terapêuticos ideais sanguíneos, as doses de fármacos metabolizados por estas enzimas poderão requerer ajuste, quando a administração concomitante de rifampicina for iniciada ou interrompida13. Veja outras interações possíveis na bula

  1. Sulfametoxazol/Trimethoprim (Bactrim)

Devido à possibilidade de interação medicamentosa, você deve ter cautela com o uso concomitante de Bactrim® e os medicamentos ou substâncias descritas a seguir: – diuréticos (medicamentos que aumentam a quantidade de urina eliminada) e digoxina (medicamento para o coração); – medicamentos para doenças do sistema nervoso: depressores do sistema nervoso central, como, por exemplo, antidepressivos e fenitoína;  – medicamentos que contenham em sua fórmula: amantadina (medicamento antiviral e antiparkinsoniano), lamivudina (antirretroviral utilizado em pacientes portadores de HIV), ou memantina (utilizado em doença de Alzheimer) , antidiabéticos orais, ciclosporina (usada em transplantes, por exemplo), indometacina (usada em doenças reumatológicas, por exemplo) metotrexato (usado em doenças reumatológicas, por exemplo), pirimetamina (usada em infecções, como toxoplasmose, por exemplo) e varfarina (anticoagulante)14. Veja outras interações possíveis na bula

  1. Claritromicina

O uso dos seguintes medicamentos é estritamente contraindicado, devido à gravidade dos efeitos causados pelas possíveis interações medicamentosas:

Cisaprida, pimozida, astemizole e terfenadina: foram relatados aumentos dos níveis de cisaprida em pacientes tratados concomitantemente com claritromicina e cisaprida. Isto pode resultar em prolongamento do intervalo QT e arritmias cardíacas incluindo taquicardia ventricular, fibrilação ventricular e torsades de pointes. Efeitos semelhantes foram observados em pacientes tratados concomitantemente com claritromicina e pimozida.

Foi relatado que os macrolídeos alteram o metabolismo da terfenadina, resultando no aumento do nível desta substância que, ocasionalmente, foi associado a arritmias cardíacas, tais como prolongamento do intervalo QT, taquicardia ventricular, fibrilação ventricular e torsades de pointes15. Veja outras interações possíveis na bula

  1. Amoxicilina

Alguns medicamentos podem causar efeitos indesejáveis se você os ingerir durante o tratamento com amoxicilina. Não deixe de avisar seu médico caso você esteja tomando: medicamentos usados no tratamento de gota (probenecida ou alopurinol); outros antibióticos; pílulas anticoncepcionais (como acontece com outros antibióticos, talvez sejam necessárias precauções adicionais para evitar a gravidez); anticoagulantes16. Veja outras interações possíveis na bula

  1. Azitromicina

A azitromicina não deve ser administrada em conjunto com: antiácidos, ergo e derivados do ergo.

Deve-se monitorar (acompanhamento médico e exames de sangue avaliando níveis terapêuticos das medicações) pacientes que utilizam conjuntamente azitromicina e: digoxina, colchicina, zidovudina, anticoagulantes (medicação que inibe o processo de coagulação) orais do tipo cumarínicos, ciclosporina17. Veja outras interações possíveis na bula

  1. Cefalexina

A probenecida pode aumentar e prolongar a concentração da cefalexina no sangue. Os diuréticos de alça (ex.: furosemida) podem aumentar o risco de toxicidade para os rins com as cefalosporinas18. Veja outras interações possíveis na bula

  1. Levofloxacino

A administração concomitante de comprimidos de levofloxacino e antiácidos contendo cálcio, magnésio ou alumínio, bem como sucralfato, cátions metálicos como ferro, preparações multivitamínicas contendo zinco ou produtos que contenham qualquer uma dessas substâncias, podem interferir na absorção gastrintestinal do levofloxacino, resultando em níveis na urina e no soro consideravelmente inferiores ao desejável. Esses agentes devem ser tomados pelo menos duas horas antes ou duas horas depois da administração do levofloxacino19. Veja outras interações possíveis na bula

  1. Neomicina

Outros antibióticos aminoglicosídeos podem apresentar reação de sensibilidade cruzada com a neomicina20. Veja outras interações possíveis na bula

  1. Metronidazol

Álcool: bebidas alcoólicas e medicamentos contendo álcool não devem ser ingeridos durante o tratamento com metronidazol e no mínimo 1 dia após o mesmo, devido à possibilidade de reação do tipo dissulfiram (efeito antabuse), com aparecimento de rubor, vômito e taquicardia (aceleração do ritmo cardíaco).

Dissulfiram: foram relatadas reações psicóticas em pacientes utilizando concomitantemente metronidazol e dissulfiram21. Veja outras interações possíveis na bula

  1. Gentamicina

Como com outros aminoglicosídeos, o uso concomitante e/ou sequencial, tópico ou sistêmico de outros antibióticos potencialmente nefrotóxicos e/ou neurotóxicos deve ser evitado. O uso concomitante de sulfato de gentamicina Injetável com outras drogas que são possivelmente nefrotóxicas, aumenta o risco de nefrotoxicidade. Essas drogas incluem aminoglicosídeos, vancomicina, polimixina B, colistina, organoplatínicos, alta dose de metotrexato, ifosfamida, pentamidina, foscarnet, algumas drogas antivirais (aciclovir, ganciclovir, adefovir, cidofovir tenovir) anfotericina B, imunossupressores como ciclosporina, ou tacrolimo e produtos de contraste de iodo. Se a combinação a ser usada for necessária, a função renal deve ser rigorosamente monitorada por exames laboratoriais apropriados.

O uso concomitante de gentamicina com potentes diuréticos, como ácido etacrínico ou furosemida, deve ser evitado, já que esses diuréticos por si só podem causar ototoxicidade. Além disso, quando administrados por via intravenosa, os diuréticos podem aumentar a toxicidade dos aminoglicosídeos, porque alteram sua concentração no soro e tecidos. Veja outras interações possíveis na bula

  1. Sulfametoxazol + Trimetoprima

Diuréticos (medicamentos que aumentam a quantidade de urina eliminada) e digoxina (medicamento para o coração);

Medicamentos para doenças do sistema nervoso: depressores do sistema nervoso central, como, por exemplo, antidepressivos e fenitoína;

Medicamentos que contenham em sua fórmula: amantadina (medicamento antiviral e antiparkinsoniano), lamivudina (antirretroviral utilizado em pacientes portadores de HIV), ou memantina (utilizado em doença de Alzheimer), antidiabéticos orais, ciclosporina (usada em transplantes, por exemplo), indometacina (usada em doenças reumatológicas, por exemplo) metotrexato (usado em doenças reumatológicas, por exemplo), pirimetamina (usada em infecções, como toxoplasmose, por exemplo) e varfarina (anticoagulante). Veja outras interações possíveis na bula

Antibiótico corta o efeito do anticoncepcional?

É muito comum ouvir que “antibióticos cortam o efeito da pílula anticoncepcional”. Essa ideia foi durante décadas replicada, inclusive entre profissionais de saúde. Entretanto, evidências científicas mais recentes mostram que, na grande maioria dos casos, isso não é verdade23.

As únicas classes de antibióticos com comprovação científica de possibilidade de redução da eficácia contraceptiva são as rifamicinas, principalmente rifampicina e rifabutina, frequentemente usadas para tratar tuberculose, hanseníase ou meningite23.

Em menor evidência, também há menção à griseofulvina, utilizada no tratamento de micoses de pele ou unhas24.

Esses medicamentos aceleram o metabolismo dos hormônios estrogênio e progesterona (presentes nos anticoncepcionais hormonais), reduzindo seus níveis sanguíneos e, consequentemente, sua eficácia, aumentando o risco de gravidez indesejada23.

Antibióticos amplamente prescritos na rotina médica, como amoxicilina, cefalosporinas, macrolídeos, tetraciclinas, metronidazol, ciprofloxacino, entre outros, não demonstram, segundo a evidência científica atual, interferir na eficácia contraceptiva dos anticoncepcionais hormonais (pílula, injeção, adesivo, implante, etc.)23.

Pode tomar antibiótico com bebida alcoólica?

Diz a sabedoria popular que ingerir bebida alcoólica enquanto se faz uso de algum medicamento pode cortar o efeito do remédio. O que acontece é que a ingestão de antibiótico em conjunto com o álcool pode provocar reações e efeitos adversos, como o aumento da toxicidade do álcool, a ocorrência de efeitos colaterais e até um maior risco de lesões no fígado25.

O álcool, por si só, é uma substância muito irritante para a mucosa gastrointestinal, assim como alguns antibióticos comuns. Quadros de náuseas, vômitos, dor abdominal ou diarreia são alguns dos sintomas e podem ocorrer porque tanto o álcool quanto o medicamento são metabolizados no fígado, e consumir os dois ao mesmo tempo pode sobrecarregar o órgão25.

Outro problema dessa associação é o fato de os pacientes que precisam de antibióticos serem os que estão com alguma infecção e, portanto, precisando de um sistema imunológico forte para combatê-la. Uma ou duas cervejas, eventualmente, não atrapalharão em nada a capacidade do organismo de combater infecções, mas quantidades elevadas de álcool podem, sim, prejudicá-lo25.

Pode tomar antibiótico com estômago vazio?

Alguns medicamentos podem ser agressivos para o estômago se ele estiver vazio. Se você vai tomar antibiótico ou anti-inflamatório, é importante estar alimentado para proteger o órgão. Os remédios devem ser engolidos com água. Beber leite ou refrigerante junto pode prejudicar o efeito26.

Os antibióticos, por exemplo, têm uma substância chamada tetraciclina, ela reage com o cálcio do leite e perde a eficácia26.

Efeitos colaterais comuns de antibióticos

Como todos os medicamentos, os antibióticos podem causar efeitos secundários27.

Um terço dos pacientes que usam antibiótico apresentará diarreia durante o treatamento, isso porque o antibiótico causará disbiose, ou seja, um desequilíbrio da microbiota intestinal que culminará com a ocorrência de diarreia28.

Todos os antibióticos, administrados tanto por via oral quanto por via intravenosa, podem determinar diarreia associada a antibióticos. Os que conferem maior risco são: amoxicilina as sociada ou não ao clavulanato, cefalosporinas, clindamicina e qualquer antibiótico contra anaeróbios28.

Alguns efeitos colaterais comuns são27:

  • Diarreia;
  • Náuseas e vômitos;
  • Infecções por candidíase na boca ou vagina.

Os efeitos colaterais menos comuns são 27:

  • Diarreia contínua;
  • Reações alérgicas – na maioria das vezes reações cutâneas.

Há algumas evidências de que tomar probióticos durante um curso de antibióticos pode reduzir a diarreia associada a antibióticos. Os probióticos estão disponíveis em supermercados, farmácias e lojas de produtos naturais27.

Importância do uso de probióticos durante o tratamento

O uso de probiótico seria uma medida profilática, para evitar a diarreia secundária a antibióticos, assim como para evitar a ocorrência da diarreia por Clostridium difficile, que poderá ser extremamente grave28.

É importante lembrar que nem todos os probióticos são iguais. Essa afirmativa é fundamental, considerando que cada probiótico tem “nome e sobrenome”, portanto estes produtos devem ser individualizados, segundo o mecanismo de ação, indicações, dose recomendada e segurança28.

O grupo de trabalho da Sociedade Europeia de Gastroenterologia Pediátrica (ESPGHAN) publicou uma diretriz baseada em revisões sistemáticas e metanálise e recomendou o Lactobacillus rhamnosus GG (LGG) e o Saccharomyces boulardii, ambos com grau de recomendação forte, para evitar a diarreia por antibióticos. Também, com o objetivo de prevenir a diarreia por Clostridium difficile, essa sociedade sugeriu o uso do Saccharomyces boulardii28.

Resistência bacteriana: o que é e como evitar?

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) adverte: interromper tratamentos com antimicrobianos sem antes discutir com o profissional prescritor nunca é uma boa ideia, pelo simples fato de que a doença pode não ser curada adequadamente e o microrganismo pode desenvolver resistência aos medicamentos29.

De forma resumida, podemos entender a resistência microbiana como um fenômeno caracterizado pela capacidade de microrganismos (bactérias, fungos, parasitas etc.) resistirem à ação de antimicrobianos29.

O resultado disso é a diminuição ou a eliminação da eficácia do medicamento para curar ou prevenir infecções, ou seja, não se obtém o sucesso esperado com a terapia antimicrobiana29.

As consequências desse problema vão desde o agravamento de enfermidades, o prolongamento de internações e a necessidade de se utilizar mais medicamentos, aumentando o risco de efeitos adversos, até óbitos, em casos extremos29.

O problema já tem impacto conhecido no tratamento de doenças como infecções urinárias, respiratórias e sexualmente transmissíveis (ISTs), além de pneumonias e tuberculose, além de várias outras. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a resistência microbiana causa 700 mil mortes todos os anos, exigindo esforço global no seu enfrentamento29.

  Referências:

  1. “Uso de antibióticos – orientações” – Biblioteca Virtual em Saúde – Ministério da Saúde. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/uso-correto-de-antibioticos. Acesso em: 26/08/2025.
  2. Antibióticos: por que é importante seguir com o tratamento até o fim? – Blog Vida Saudável – Einstein. Disponível em: https://vidasaudavel.einstein.br/antibioticos-por-que-e-importante-seguir-com-o-tratamento-ate-o-fim. Acesso em: 26/08/2025.
  3. “Antibióticos vs. antivirais: qual é o melhor tratamento?” Families Fighting Flu. Disponível em: https://familiesfightingflu.org/antibiotics-vs-antivirals-whats-the-best-treatment. Acesso em: 26/08/2025.
  4. “8 perguntas e respostas sobre antibióticos”. Disponível em: https://www.cuf.pt/mais-saude/8-perguntas-e-respostas-sobre-antibioticos. Acesso em: 26/08/2025.
  5. “Como utilizar os antibióticos de forma segura?” – Blog Sabin. Disponível em: https://blog.sabin.com.br/saude/utilizacao-segura-de-antibioticos. Acesso em: 26/08/2025.
  6. “Dispensação de Antimicrobianos” – Conselho Regional de Farmácia do Rio Grande do Sul (CRF-RS). Disponível em: https://crfrs.org.br/noticias/dispensacao.de.antimicrobianos. Acesso em: 27/08/2025.
  7. “Mobilização alerta para riscos da automedicação com antibióticos” – Agência Brasil. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2021-11/mobilizacao-alerta-para-riscos-da-automedicacao-com-antibioticos. Acesso em: 27/08/2025.
  8. “Antibióticos: por que é importante seguir com o tratamento até o fim?” – Vida Saudável – Blog do Einstein. Disponível em: https://vidasaudavel.einstein.br/antibioticos-por-que-e-importante-seguir-com-o-tratamento-ate-o-fim/. Acesso em: 27/08/2025.
  9. “Esqueci de tomar remédio na hora certa. O que fazer agora?”. Disponível em: https://hospitalsiriolibanes.org.br/blog/alimentacaoebemestar/vai-comecar-um-tratamento-pergunte-ao-medico-o-que-fazer-se-esquecer-se-de-tomar-o-medicamento-na-hora-certa. Acesso em: 27/08/2025.
  10. “Resistência antimicrobiana: uso indiscriminado de antibióticos representa risco à saúde e favorece o surgimento de bactérias resistentes” – Secretaria da Saúde – Governo do Estado do Ceará. Disponível em: https://www.saude.ce.gov.br/2024/11/22/uso-indiscriminado-de-antibioticos-risco-a-saude-hsj/. Acesso em: 27/08/2025.
  11. “Evite nove erros ao tomar antibióticos” – Conselho Regional de Farmácia do Estado do Paraná. Disponível em: https://www.crf-pr.org.br/noticia/view/5813. Acesso em: 27/08/2025.
  12. Bula CIPROFLOXACINO – Guia da Farmácia. Disponível em: https://guiadafarmacia.com.br/consulta-medicamentos/medicamento/?item=012181006. Acesso em: 27/08/2025.
  13. Bula Rifadin. Disponível em: https://drogariasp.vteximg.com.br/arquivos/19291—rifaldin-300mg-6-capsulas.pdf. Acesso em: 03/09/2025.
  14. Bula Bactrim. Disponível em: https://img.drogasil.com.br/raiadrogasil_bula/Bactrim.pdf. Acesso em: 03/09/2025.
  15. Bula Claritromicina. Disponível em: https://dam.abbott.com/pt-br/documents/pdfs/nossas-bulas/k/BU-19-KLARICID-SUSP-bula-profissional-Final.pdf. Acesso em: 03/09/2025.
  16. Bula Amoxicilina. Disponível em: https://www.drogaraia.com.br/bulas/amoxicilina. Acesso em: 03/09/2025.
  17. Bula Cefalexina. Disponível em: https://www.drogaraia.com.br/bulas/cefalexina. Acesso em: 03/09/2025.
  18. Bula Cefalexina. Disponível em: https://www.drogaraia.com.br/bulas/cefalexina. Acesso em: 03/09/2025.
  19. Bula Levofloxacino. Disponível em: https://www.drogasil.com.br/bulas/levofloxacino. Acesso em: 03/09/2025.
  20. Bula Neomicina. Disponível em: https://img.drogasil.com.br/raiadrogasil_bula/SulfatodeneomicinaCremePrati.pdf. Acesso em: 03/09/2025.
  21. Bula Metronidazol. Disponível em: https://www.bulas.med.br/p/bulas-de-medicamentos/bula/6334/metronidazol-comprimidos-250-mg-e-400-mg.htm. Acesso em: 03/09/2025.
  22. Bula Sulfametoxazol + Trimetoprima. Disponível em: https://www.bulas.med.br/p/bulas-de-medicamentos/bula/1350673/sulfametoxazol-trimetoprima-comprimido-400-mg-80-mg.htm. Acesso em: 03/09/2025.
  23. Interações entre remédios e anticoncepcionais – MD Saúde. Disponível em: https://www.mdsaude.com/ginecologia/anticoncepcionais/interacoes-medicamentosas-anticoncepcionais. Acesso em: 03/09/2025.
  24. Antibiótico corta o efeito do anticoncepcional? – Tua Saúde. Disponível em: https://www.tuasaude.com/antibiotico-corta-o-efeito-do-anticoncepcional. Acesso em: 03/09/2025.
  25. Saiba quais são os riscos de ingerir álcool e antibióticos juntos – Jornal da USP. Disponível em: https://jornal.usp.br/atualidades/saiba-quais-sao-os-riscos-de-ingerir-alcool-e-antibioticos-juntos/. Acesso em: 03/09/2025.
  26. 9 hábitos que devem ser abolidos na hora de tomar medicamentos – CRF-PR. Disponível em: https://www.crf-pr.org.br/noticia/view/6017. Acesso em: 03/09/2025.
  27. Antibióticos – Health Direct. Disponível em: https://www.healthdirect.gov.au/antibiotics. Acesso em: 03/09/2025.
  28. Papel dos probióticos na diarreia por antibióticos. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/20580d-GPA_-_Papel_probioticos_na_diarreia_por_antibioticos.pdf. Acesso em: 03/09/2025.
  29. Resistência microbiana: saiba o que é e como evitar – Anvisa. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2020/resistencia-microbiana-saiba-o-que-e-e-como-evitar. Acesso em: 03/09/2025.
  30. Série Melhor Horário para Tomar o Remédio – Farmacêutico Digital. Disponível em: https://farmaceuticodigital.com/2016/04/serie-melhor-horario-para-tomar-o-remedio.html. Acesso em: 03/09/2025.
Fonte: CFF
André Silva

André Silva

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