A semaglutida comercializada sob a marca Wegovy foi o único medicamento para tratamento da obesidade associado à redução do risco de morte por qualquer causa, segundo uma metanálise publicada no periódico científico The BMJ, de acordo com reportagem publicada no portal Exame.
O levantamento também apontou benefícios cardiovasculares relevantes, reforçando o posicionamento da terapia além da perda de peso.
A análise avaliou 262 ensaios clínicos randomizados, envolvendo quase 100 mil participantes.
De acordo com os pesquisadores, embora a maior parte dos medicamentos para obesidade tenha demonstrado eficácia na redução do peso corporal, apenas a semaglutida apresentou evidências consistentes de redução de mortalidade e de eventos cardiovasculares.
Os resultados indicaram que o Wegovy esteve associado a:
- redução de 19% no risco de morte por qualquer causa;
- redução de 28% no risco de infarto;
- redução de 57% no risco de insuficiência cardíaca.
Já a tirzepatida, comercializada como Mounjaro, também apresentou benefícios, com redução de 51% no risco de insuficiência cardíaca, mas sem demonstrar o mesmo nível de evidência em relação à proteção cardiovascular ampla observada com a semaglutida.
Evidências além do emagrecimento
Os novos dados reforçam resultados já observados no estudo SELECT, que acompanhou 17.604 adultos em 41 países e mostrou que a semaglutida reduziu em 20% a ocorrência de eventos cardiovasculares graves em comparação ao placebo.
As evidências levaram a agência regulatória dos Estados Unidos, a FDA, a aprovar em 2024 uma indicação cardiovascular para o medicamento.
Além disso, análises apresentadas durante as Sessões Científicas de 2026 da Associação Americana de Diabetes apontaram outros benefícios da molécula.
Segundo a fabricante, a semaglutida reduziu em 52% a incidência de apneia obstrutiva do sono e em 42% os desfechos adversos relacionados à asma em pacientes com obesidade e doença cardiovascular estabelecida.
Apesar dos resultados positivos, os autores da metanálise ressaltam que a escolha do tratamento deve considerar fatores como benefícios esperados, perfil de segurança, custo, disponibilidade e preferências do paciente.
O estudo também observou que perdas de peso mais expressivas estiveram associadas a maiores taxas de efeitos adversos e de abandono do tratamento.










