Um composto já conhecido na indústria de cosméticos sul-coreana pode ganhar um papel bem diferente do atual. Pesquisadores da Universidade de Kent e da University College London, ambas na Inglaterra, identificaram que o ácido madecássico, substância derivada da planta centella asiática, tem ação contra bactérias resistentes a antibióticos, incluindo cepas perigosas de E. coli.
A pesquisa combinou triagem computacional com experimentos de laboratório para avaliar o potencial do ácido madecássico.
Além da molécula original, a equipe criou três versões modificadas a partir de amostras extraídas de uma planta no Vietnã. Todas conseguiram bloquear o mesmo alvo bacteriano e interromper o crescimento microbiano. Em um dos casos, a variante foi capaz de matar a E. coli em concentrações mais altas.
O trabalho chama atenção em um momento em que a resistência antimicrobiana se consolida como um dos maiores desafios da saúde global.
Nesse contexto, identificar compostos promissores em fontes naturais é visto como um atalho relevante em uma área marcada por altos custos e desenvolvimento lento de novos antibióticos.
Potencial da pesquisa e como a substância afeta as bactérias
Além do potencial farmacêutico, o achado pode abrir novas perguntas para a indústria de beleza.
O ácido madecássico já é usado em produtos voltados a acalmar e reparar a pele, e os pesquisadores afirmam que os resultados também podem ajudar a entender melhor como a substância afeta as bactérias naturais presentes no microbioma cutâneo.
Por enquanto, a descoberta ainda está em estágio inicial e não significa que o ingrediente vá se transformar rapidamente em medicamento.
Mas o estudo reforça uma tendência que interessa tanto à ciência quanto ao mercado: moléculas conhecidas de setores como cosméticos e bem-estar podem revelar aplicações de maior valor agregado em áreas críticas, como a de novos antibióticos.










