A vacinação infantil de rotina nas Américas avançou em 2025, com a redução do número de crianças menores de um ano não vacinadas, de 1,3 milhão para 1,1 milhão.
No entanto, a queda da cobertura vacinal contra o sarampo está deixando as comunidades cada vez mais vulneráveis a surtos, segundo as mais recentes estimativas da OMS e do UNICEF sobre a Cobertura Nacional de Imunização (WUENIC), divulgadas em 15 de julho.
A cobertura da primeira dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP1) alcançou 92%, enquanto a cobertura da terceira dose (DTP3) manteve-se em 86%, confirmando que as Américas não apenas se recuperaram dos retrocessos causados pela pandemia, mas também superaram os níveis de vacinação de rotina registrados antes dela.
“As Américas demonstraram que o progresso é possível. Os países fortaleceram seus programas de imunização de rotina, reduziram o número de crianças que não recebem vacinas que salvam vidas e continuam liderando globalmente em áreas chave, como a vacinação contra o HPV. Mas o ressurgimento do sarampo é um alerta de que não podemos dar essas conquistas como garantidas”, afirmou Jarbas Barbosa, diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).
Cenário Brasil
O Brasil vem melhorando a cobertura vacinal ano após ano, ao mesmo tempo em que reduz o número de crianças zero-dose.
Em 2023, havia 360 mil crianças zero-dose no país – que não haviam recebido a DTP1, administrada no Brasil por meio da vacina pentavalente. Esse número caiu para 255 mil, em 2024, e para 50 mil, em 2025.
A melhora dos dados de 2024 para 2025 é explicada principalmente por dois fatores: o aumento da cobertura vacinal – com mais crianças sendo vacinadas em todo o país – e os aprimoramentos no sistema público de registro e divulgação sobre vacinação do Brasil, que resultaram em dados mais precisos e completos.
Desafios na cobertura vacinal contra o sarampo
A cobertura vacinal contra o sarampo, que havia aumentado em 2024, registrou uma queda em 2025.
Desde 2024, a cobertura da primeira dose da vacina contendo o componente contra o sarampo (MCV1) diminuiu de 89% para 88%, enquanto a cobertura da segunda dose (MCV2) caiu de 79% para 78%, ambas muito abaixo dos 95% necessários para prevenir surtos dessa doença altamente contagiosa.
As estimativas também revelam diferenças marcantes na cobertura vacinal, tanto entre os países quanto dentro deles. Enquanto alguns países têm alcançado e mantido coberturas de vacinação contra o sarampo superiores a 90%, outros permanecem muito abaixo desse patamar, refletindo desigualdades geográficas e socioeconômicas persistentes no acesso aos serviços de imunização.
Vários países da Região continuam respondendo a surtos de sarampo, a maioria dos quais ocorreu entre pessoas não vacinadas ou que não haviam recebido as duas doses recomendadas.
Segundo a OPAS, esses surtos evidenciam a rapidez com que o sarampo pode se disseminar quando persistem lacunas de imunidade e reforçam a importância de continuar investindo na manutenção de altas coberturas vacinais, no fortalecimento dos sistemas de vigilância e na garantia de uma resposta rápida aos surtos.
“Enquanto o sarampo continuar circulando em qualquer parte do mundo, nenhum país ou comunidade pode se dar ao luxo de baixar a guarda. A vacinação é nossa melhor proteção, e devemos continuar trabalhando para alcançar todas as crianças, fechar as lacunas de imunidade e manter os altos níveis de cobertura necessários para prevenir surtos”, acrescentou Jarbas Barbosa.
O sarampo é uma das doenças mais contagiosas do mundo. Mesmo pequenos grupos populacionais com cobertura vacinal insuficiente podem permitir a continuidade da transmissão e favorecer o surgimento de surtos. Alcançar e manter uma cobertura de pelo menos 95% com duas doses de uma vacina contendo o componente contra o sarampo, em todas as comunidades, continua sendo essencial para interromper a transmissão e proteger as populações mais vulneráveis.
Vacinação contra o HPV
Além do progresso contínuo na imunização infantil de rotina, as Américas permanecem como líder global na vacinação contra o papilomavírus humano (HPV).
A cobertura alcançou 71% em 2025, refletindo o compromisso político sustentado e os investimentos na proteção dos adolescentes contra o câncer do colo do útero, a segunda principal causa de morte por câncer entre mulheres em muitos países da Região.
Esse resultado demonstra o que é possível alcançar quando os países priorizam a imunização, ampliam o acesso equitativo às vacinas e desenvolvem programas capazes de proteger as pessoas ao longo de todo o curso da vida.










